Na primeira vez que a esposa de Antônio (nome fictício) presenciou uma convulsão do marido ficou muito assustada. "Éramos recém-casados. Fiquei muito nervosa, comecei a gritar e os vizinhos vieram ajudar", lembra. Já faz mais de 20 anos que o episódio aconteceu. Depois do diagnóstico e de conhecer um pouco sobre a epilepsia, a esposa começou a perceber que Antônio já dava sinais da doença porque tinha crises de ausência frequentes, mas ela não sabia do que se tratava. "Até acertar a dose do medicamento, ele teve várias crises", comenta.
As crises de ausência ainda fazem parte do dia a dia de Antônio, e às vezes elas evoluem para uma convulsão. Hoje, aos 43 anos, ele toma a dose máxima do medicamento recomendado pelo médico. O afastamento do trabalho e a perda da carteira de habilitação foram algumas das consequências da doença. A síndrome do pânico e a depressão também se instalaram. "O mais difícil é saber que estou tratando há tanto tempo e não tenho melhora. Hoje, tomo 17 comprimidos todos os dias", revela.
A família vive uma situação de insegurança constante, as crises podem aparecer a qualquer momento, não há descanso e nem a definição da causa da doença. "Estive em Curitiba, fazendo exames para identificar onde está o problema no meu cérebro, mas nada foi encontrado, por isso no meu caso a cirurgia não é indicada", lamenta Antônio. (M.A.)

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