Tomate e frutas vermelhas são aliadas na prevenção
Os brasileiros estão mais preocupados em manter hábitos saudáveis. Outra boa notícia é que estudos e pesquisas sobre os benefícios da alimentação na prevenção de doenças vêm se intensificando cada vez mais.
Um deles trata do licopeno, um agente antioxidante presente em alimentos de cor avermelhada, como o tomate e o pimentão, e as frutas, goiaba, mamão e melancia. A especialista em nutrição clínica Clisia Mara Carreira, docente do Departamento de Ciências Farmacêuticas da Universidade Estadual de Londrina (UEL), explica que, desse grupo, o tomate é a maior fonte da substância.
"Em nosso organismo, o licopeno vai atuar na prevenção do envelhecimento precoce e diminuir as substâncias oxidativas que podem, por exemplo, desenvolver um câncer ou doenças cardiovasculares", afirma ela, citando que há tempos muitos estudos relacionam a classe dos antioxidantes com certas doenças, mas que a relação específica do licopeno, em especial o tomate, com o câncer de próstata é recente.
Segundo a nutricionista, pesquisas apontaram que o licopeno está presente nas células prostáticas e por isso a relação direta com a glândula. "Como o organismo não é capaz de produzi-lo, é preciso ingerir através dos alimentos, se tornando uma proteção extra aos homens, ou seja, uma garantia que ele tenha um nutriente importante para essas células", ressalta.
O ideal é que a ingestão do tomate seja diária. Porém, ao contrário de muitos outros alimentos, a melhor maneira de consumi-lo é em forma de molho. "Alguns estudos mostram que o molho de tomate cozido no óleo, tem uma liberação três vezes maior de licopeno. Uma unidade tem cerca de 30 miligramas de licopeno e quando cozido com uma pequena quantidade de óleo, obtemos quase 100 miligramas", afirma.
É claro que o mais indicado são sempre os molhos caseiros, preparados de forma natural. Outra dica valiosa é que o licopeno está vinculado ao amadurecimento do tomate, ou seja, quanto mais vermelhinho, melhor. "As frutas citadas também têm licopeno, mas em uma quantidade menor", salienta.
Para a nutricionista, um ponto a ser ressaltado é que o consumo de alimentos que são fontes de antioxidantes é diferente da suplementação por meio de cápsulas de licopeno. "Alimentação saudável, natural e rica em antioxidante pode ser mantida e incentivada para o tratamento do câncer, mas a suplementação não", comenta.
Segundo ela, um dos mecanismos de ação da quimioterapia no câncer é basicamente oxidar a célula tumoral e por isso não há sentido em ingerir uma grande quantidade de antioxidantes. "Somente um profissional qualificado pode prescrever uma suplementação quando necessário e o mais importante, considerando a individualidade de cada caso", conclui. (M.O.)




