Testes neuropsicológicos ajudam no diagnóstico
Um diagnóstico clínico, com alguns exames de imagem, auxiliam na identificação do tipo da demência. Mas os testes neuropsicológicos vão além e ajudam a avaliar também o grau de comprometimento e o funcionamento cognitivo do paciente.
A neuropsicóloga Daniela Perini Rigotti explica que este tipo de teste pode reforçar as alterações apontadas no exame ou até mesmo identificar alguma alteração que não foi mostrada pelo exame. ''Às vezes não há nada físico no cérebro que aponte uma anormalidade, mas o funcionamento cerebral está comprometido e conseguimos identificar isso nos testes realizados em consultório'', destaca.
Os testes feitos incluem o Q.I., avaliação de atenção, planejamento e organização das ações. ''Selecionamos os testes de acordo com a queixa dos pacientes. Não existe um protocolo fechado de aplicação. Os testes são implementados conforme o comportamento do indivíduo'', explica. Durante a realização dos testes neuropsicológicos, alguns pacientes vão percebendo que realmente apresentam dificuldade de memória. ''Inicialmemnte nem sempre o paciente tem auto crítica para perceber que precisa de ajuda, por isso muitas vezes quem busca orientação profissional é um familiar'', explica.
Estas avaliações possibilitam que o profissional tenha uma noção se determinadas áreas cerebrais estão funcionando corretamente. ''Para um diagnóstico seguro, é fundamental conseguirmos identificar a troca de informação entre as áreas cerebrais'', afirma. Ela acrescenta que, no caso da doença de Alzheimer, a função cerebral avaliada é aquela que está relacionada à memória recente, o que acaba influenciando na perda da capacidade de realizar atividades básicas diárias. ''A pessoa esquece de tomar os remédios, não se lembra da sequência exata para preparar o café, tem dificuldade de organizar a rotina diária, pode sair para ir a um lugar conhecido mas esquecer o caminho de volta para casa'', enumera.
Daniela ressalta que esquecer as coisas é normal até certo ponto. ''A dificuldade de memória faz parte do envelhecimento, mas normalmente são episódios pontuais. O que não é normal é esquecer muitas coisas e isso interferir na rotina, prejudicando o dia a dia da pessoa'', esclarece.
Para Daniela, a troca de informação entre os profissionais que estão atendendo o paciente é imprescindível para um bom resultado. ''Esta questão ainda precisa ser muito melhorada. Nem todos os profissionais estão dispostos a se reunirem para fazer um estudo de caso dos pacientes e isso é prejudicial'', alerta. (M.A.)




