Uma avaliação simples, capaz de minimizar ou até mesmo evitar inúmeras doenças relacionadas a visão. Essa é a melhor definição para o teste de Bruckner, ou apenas ''teste do olhinho'', regulamentado em 28 de dezembro de 2004, como sendo exame obrigatório no Paraná, pela lei nº 14.601. Há cerca de um ano, o pagamento do exame é obrigatório também para todos os planos de saúde, por decisão da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).
O artigo 1º da regulamentação determina que o procedimento deverá ser realizado no momento da alta do bebê, pelo médico que realizou o primeiro atendimento ao recém-nascido em maternidades ou congêneres.
O oftalmologista Robson Christian Begalli explica que o procedimento não leva mais do que 30 segundos e basta o especialista usar uma lanterna oftalmológica contra o olho do paciente para identificar a existência do reflexo vermelho no fundo do globo ocular. ''O teste se dá quando você bate uma luz incidente na reta da pupila e aparece uma luz no fundo do olho. Para exemplificar o que se vê no exame é o mesmo, de quando se tira uma fotografia e dentro dos olhos aparecem manchas vermelhas'', comenta o médico.
Ainda segundo o médico, por meio do teste, o oftalmologista consegue perceber até mesmo se a criança terá necessidade de usar óculos futuramente, podendo antecipar o tratamento, o que reflete no resultado. O desenvolvimento do nervo óptico é encerrado entre os cinco e os seis anos de idade, lembra Begalli.
Catarata e glaucoma congênitos, toxoplasmose e retinoblastoma (tumor maligno que atinge crianças), são alguns dos problemas facilmente identificados. ''Costumeiramente chamamos essas doenças de pupila branca e a mais comum é a catarata congênita. Já o retinoblastoma é raro, mas quando aparece pode levar à retirada do olho ou até a morte se não for tratado'', explica o médico.
De acordo com Begalli é fundamental que se descubra a doença antes dos três anos para que o tratamento surta efeito. A proporção de incidência do câncer em crianças é de uma para cada 20 mil. ''Com o teste do olhinho você identifica o problema em seu início e a chance de cura é muito grande'', afirma o oftalmologista, enfatizando a importância do teste.
Em Londrina não são todos os hospitais que dispõe de maternidade que realizam o procedimento em seus recém-nascidos. A assessoria da Santa casa informou que faz apenas o encaminhamento dos bebês.
Também oftalmologista, Luiz Fernando Cavalieri lembra que pouco tempo depois da aprovação da lei em 2004, um curso de capacitação, sobre como realizar o teste foi ministrado a pediatras na Universidade Estadual de Londrina (UEL) e pelo menos 50 profissionais participaram do encontro. ''Têm sido feitos outros cursos, embora eu só tenha participado desse, posso dizer que os médicos foram preparados para saber como identificar problemas de visão nos recém-nascidos.''
O profissional opina que, apesar da obrigatoriedade e dos cursos de orientação, não se pode afirmar que o exame está sendo feito em todas as unidades de saúde. Outro ponto suscitado por ele é a falta de informação dos pais que por desconhecerem a obrigatoriedade do teste, muitas vezes não o procuram. ''Hospitais em cidades pequenas talvez não tenham estrutura adequada para realizá-lo'', avalia.
Para ele, a saída é uma maior divulgação da importância que o teste pode ter para a saúde e desenvolvimento da visão na criança, além da criação de um espaço na carteirinha de vacinação que ateste a realização do exame, medida que foi tomada pelo Ministério da Saúde no ano passado.

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