O que te preocupa? Por qual motivo você perde o sono? Por que você está estressado, ansioso? Por mais que as respostas possam ser comuns à população em geral, como, por exemplo, o corre-corre do dia a dia, a pressão no trabalho e as relações afetivas, a solução, na verdade, está dentro de cada um, de forma individualizada.
Isto é, apesar de lidarmos com situações e problemas cotidianos, a forma como absorvemos tudo isso vai ser diferente de pessoa para pessoa. Há aqueles que têm uma estrutura interna mais fortalecida, já outros, incorporam tal situação a outros problemas e acabam se envolvendo de tal forma que todas as áreas da vida parecem "desmoronar" de uma hora para outra.
O fato é que algumas modalidades de terapias estão ganhando mais espaço na sociedade porque os resultados se mostram mais impactantes quanto os próprios problemas. Ou seja, é possível sim, aprender a lidar com diferentes situações, se sentir mais confiante, ser mais flexível e ter um pensamento mais otimista.
Na semana passada, a psicóloga Carmem Neufeld esteve em Londrina ministrando palestras para a comunidade acadêmica de Psicologia, difundindo a terapia cognitivo-comportamental, criada pelo americano Aaron Beck e que passou a ter notoriedade no País há cerca de 15 anos.
Carmem é autora de três livros sobre o tema e é vice- presidente da Associación Latino-Americana de Psicoterapias Cognitivas (Alapco). Ela veio à cidade a convite do Instituto Paranaense de Terapia Cognitiva (IPTC). Ela explica que a terapia cognitivo-comportamental integra um grupo de teorias que defendem que aquilo que gera sintomas e nos incomoda, não são os fatos em si, mas a interpretação que fazemos deles.
"Por exemplo, uma mesma situação pode ser interpretada de diferentes formas, dependendo das características pessoais e da maneira como cada um aprendeu. E a terapia vai intervir nessas interpretações, pois ela acaba interagindo na maneira como eu reajo e sinto", afirma.
Para isso, os encontros com o profissional de psicologia ou psiquiatria não vão se limitar àquele imaginário popular em que o paciente fala sobre os problemas e o terapeuta só escuta. Carmem diz que nesse processo, o profissional é muito mais ativo. A sessão será baseada em muitos questionamentos, mas também em exercícios que deverão se repetir também fora da sessão.
"Existem várias possibilidades de intervenção, que envolve análise de evidências e comportamental. Por exemplo, medo de água. Um dos pontos que vou intervir é sobre as coisas que o indivíduo pensa sobre a água, mas também vou utilizar aproximações sucessivas, como, por exemplo, ver fotos de piscinas", comenta.
Em outras palavras, é um mapeamento sobre as crenças que esse indivíduo construiu ao longo da vida, pois, de acordo com a especialista, os valores e coisas que acreditamos vão interferir em nosso comportamento e na maneira como nos sentimos, inclusive fisicamente.
"O resultado principal é a reestruturação cognitiva. É ter uma estrutura de pensamento mais flexível, que consegue se adaptar em diferentes contextos. Isso tudo passa por assertividade, resiliência, autorrespeito e regulação emocional", conclui.
Na literatura internacional, a terapia cognitivo-comportamental é considerada hoje, uma das intervenções com mais evidências de eficácia para tratamento de transtornos de ansiedade, alimentar, depressão e, até mesmo, esquizofrenia. E uma média de 30 sessões, segundo a psicóloga, pode apresentar resultados surpreendentes.

ABERTURA DE CONSCIÊNCIA
A psicóloga Carmem Neufeld faz uma observação quando é questionada sobre a abertura da sociedade para as terapias que ainda são pouco difundidas. Ela se diz confiante, que há um movimento cada vez maior das pessoas olharem mais para si mesmas.
"Assim, vão perceber que tem coisas que não serão resolvidas com remédio. Temos questões internas que precisam ser vistas, cognições que precisam ser mudadas, emoções que precisam ser trabalhadas e comportamentos que precisam ser readaptados", ressalta.
A terapeuta holística Madalena Yabu, da Associação Portal da Luz, em Londrina, dará um curso no próximo dia 26 para a comunidade. Segundo ela, será uma oportunidade para uma maior abertura de consciência.
"Nós que estudamos e pesquisamos essa área, percebemos como é gratificante e sentimos que o caminho é esse. Cada vez mais, a ideia é termos um entendimento de que fazemos parte de um todo que é movido por um grande campo de energia. Como estamos inseridos nesse campo, necessitamos saber olhar essa energia que pode ser minha ou pode ser externa", comenta.
Intitulado "Mude a sua energia para mudar a sua vida", o curso é uma interação entre movimentos corporais, percepção e dinâmicas. "São práticas que vão ajudando a dar mais consciência. A sociedade de forma geral está em busca de respostas e os resultados são perceptíveis. No dia a dia a pessoa se percebe aos poucos, mais fortalecida", conclui.

SERVIÇO
Curso "Mude a sua energia para mudar a sua vida"
Quando – 26 de setembro
Onde - Portal da Luz - Rua Mossoró, 170 - Centro
Inscrições – Vagas limitadas pelo telefone (43) 3345-0617

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