Uma luz que se acendeu no caminho de Paulo César Alves de Faria. Aos 44 anos, ele é o primeiro paciente a ter um VNS (Estimulação do Nervo Vago) implantado em Londrina. "Não tinha mais nenhuma outra alternativa, até que ouvimos falar do implante do VNS. Tenho esperança que esse tratamento faça algo em mim", diz ele, recém-operado.
Atualmente, Faria está afastado do banco onde atuou por 30 anos como gerente, devido ao diagnóstico de epilepsia de "difícil controle", descoberto há 19 anos. A doença é um distúrbio neurológico crônico, caracterizado por crises epilépticas recorrentes que não tenham sido causadas por febre, drogas ou distúrbios metabólicos.
"Ao longo dos anos as crises foram se tornando frequentes, a ponto de ocorrerem a cada 20 dias", conta. O fato é que a doença atingiu um nível refratário ao tratamento farmacológico, ou seja, Faria não obtinha mais benefícios com o tratamento medicamentoso, o que resultou em uma piora muito grande em termos de qualidade de vida.
"Chegamos em um ponto muito preocupante. Não podíamos nos programar para nada, pois o estado de alerta era 24 horas", revela a esposa Roseli, com quem tem dois filhos. Ela conta que a luta contra a doença, abalou muito o estado emocional e psicológico do marido.

NOVA TERAPIA


Registrada no Brasil no ano de 2000 pelo Ministério da Saúde por meio da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a Terapia VNS utiliza um gerador (pequeno aparelho médico) que, por meio de um condutor, envia minúsculos impulsos elétricos a um eletrodo ligado, geralmente, ao nervo vago esquerdo, situado no pescoço, um dos principais do cérebro.
No Paraná, o implante só era realizado em Curitiba, porém, há algumas semanas Faria foi o primeiro paciente a ser operado em Londrina, sob os cuidados do neurocirurgião Marcos Antônio Dias, especializado em neurocirurgia funcional.
"Até os anos 1970, 1980 e meados de 1990, se praticava a terapia ablativa (lesão). Em pacientes com epilepsia, por exemplo, se retirava uma determinada região do cérebro doente ou destruía-se de maneira controlada estruturas cerebrais. São técnicas invasivas, e que, em alguns casos, ainda se pratica", comenta Dias, ao afirmar que o implante do VNS já integra as chamadas "novas terapias".
Por funcionar como um minicomputador na bateria implantada, o VNS possui função modulatória e permite uma série de programações. "Passamos de uma fase de ablação (lesão) e adicionamos a modulação. Implantamos um aparelho que vai emitir uma série de sinais, com características que vão tentar reproduzir aquilo que o organismo não consegue", explica.
Com isso, o aparelho vai principalmente inibir a generalização da crise. Isso ocorre porque o eletrodo é implantado no nervo vago, um dos maiores do nosso organismo. "Ele vai gerar um pulso elétrico, provocando uma estimulação no núcleo do vago localizado dentro do cérebro e este vai ‘conversar’ com uma série de estruturas, impedindo que a crise convulsiva progrida", salienta.

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