Técnica permite treinar o cérebro
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domingo, 25 de maio de 2014
Michelle Aligleri<br>Reportagem local 
Controlar a ansiedade, manter a concentração, aquietar a mente. Todas estas ações não dependem de movimentos físicos, mas demandam um esforço grande especialmente do cérebro. Um grupo de pesquisadores desenvolveu o neurofeedback, uma técnica que possibilita treinar o cérebro para que ele atinja certos padrões e possibilite a superação de comportamentos indesejados como a ansiedade extrema ou a falta de atenção. O técnico em neurofeedback João Otávio Franco Pigatto explica que o método atua no funcionamento do cérebro correlacionado ao estado de consciência e é complementar ao tratamento psicoterápico convencional.
"O cérebro tem diversos padrões de funcionamento. Há padrões de ansiedade, de depressão, de hiperatividade, de deficit de atenção e muitos outros. O objetivo desta técnica é treinar o cérebro para modificar as ondas cerebrais que levam a estes comportamentos", explica. Conforme ele, após as sessões de treinamento com neurofeedback, a pessoa que antes apresentava padrões cerebrais relacionados à ansiedade aprende a não se preocupar tanto com o futuro. Já pacientes com padrões de deficit de atenção aprendem a se concentrar mais.
As sessões são realizadas com ajuda de eletrodos que são colocados na cabeça do indivíduo e ligados a um computador. Imagens aparecem na tela de acordo com a frequência das ondas cerebrais captadas pelos eletrodos. "Quando a pessoa consegue atingir a onda que desejamos no treinamento, ela recebe um sinal sonoro informando que deve tentar manter aquele padrão", explica Pigatto.
Conforme o técnico, o indivíduo precisa responder um questionário antes de iniciar o treinamento. "A partir das informações repassadas conseguimos identificar qual a área do cérebro que está relacionada à queixa e passamos a estimular o treinamento daquela região específica", complementa.
O neurofeedback não é considerado um treinamento invasivo e possui uma autorregulação natural, já que o paciente submetido à técnica vai capacitando as ondas cerebrais e aos poucos adquire mais controle sobre a frequência que deve atingir para alcançar seu objetivo.
"Entendemos o neurofeedback como um treinamento e não como um tratamento. Da mesma forma que podemos exercitar nosso equilíbrio para andar de bicicleta sem rodinhas e a nossa força para carregar determinado objeto, podemos exercitar nossas ondas cerebrais para desenvolver comportamentos desejados", afirma Pigatto.
"Para nós, uma queixa como o deficit de atenção, por exemplo, é entendida como um comportamento não aprendido na infância, mas que pode ser estimulado e adquirido", complementa.
O técnico em neuroffedback afirma que o número de sessões necessárias para aprender e manter um comportamento desejado do cérebro varia conforme o caso. "A resposta de cada um vai definir o tempo que será necessário, mas em média precisamos de 20 a 80 sessões para os casos mais simples", ressalta. De acordo com Pigatto, após o treinamento o indivíduo consegue perceber mudanças efetivas na rotina. Ele acrescenta que quanto mais a tecnologia avança no sentido de conhecer o cérebro e as ondas cerebrais, mais a técnica do neurofeedback também deve avançar.

