Técnica nacional reduz ação de melanoma
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segunda-feira, 05 de fevereiro de 2018
Fábio de Castro<br>Agência Estado 
São Paulo - Cientistas do Instituto Butantã provaram que é possível reduzir a agressividade do melanoma - um dos tipos de tumor que se alastra com mais rapidez - com o uso de uma técnica de reprogramação celular que converte as células tumorais em células-tronco. Em experimentos com animais, os pesquisadores conseguiram reduzir a velocidade de crescimento do tumor e o nível de necrose, além de tornar as células tumorais menos heterogêneas - o que resultou em uma versão bem menos agressiva de melanoma.
Segundo os autores do estudo, publicado na revista Cell Proliferation, a descoberta é um primeiro passo para que, no futuro, a técnica possa ser utilizada como terapia complementar, permitindo que os pacientes ganhem tempo para a aplicação de outras terapias e também tornando cirurgias mais eficazes.
O estudo foi o tema da tese de doutorado defendida por Diana Câmara, sob orientação da pesquisadora Irina Kerkis, do Laboratório de Genética do Instituto Butantã. De acordo com Diana, o melanoma leva à metástase - o alastramento do tumor pelo organismo - em apenas dez meses, em média. Nesse tipo de câncer, além de uma necrose rápida dos tecidos, as células tumorais são extremamente heterogêneas, o que dificulta a ação das drogas. "Quanto mais heterogêneo um câncer, pior, pois as drogas não atingem o tumor por completo, você consegue alcançar uma certa quantidade de células e outras não."
De acordo com Irina, ainda será preciso realizar muitos estudos antes de utilizar a técnica de reprogramação em terapias complementares para o melanoma, mas a descoberta aponta um caminho promissor. "No futuro, com essas pesquisas poderemos ganhar tempo para fazer uma cirurgia, por exemplo", destaca.
NOVOS CASOS
O Brasil deve registrar cerca de 600 mil novos casos de câncer por ano em 2018 e 2019, segundo o Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva. No dia 2, o Inca divulgou a Estimativa 2018 de Incidência de Câncer no Brasil, em que é citado que o câncer de pele não melanoma é o mais frequente no país. A segunda posição é ocupada pelo câncer de próstata, para homens, e de mama, para mulheres.
Considerado menos letal, o câncer de pele não melanoma deve ter cerca de 165 mil novos casos diagnosticados por ano. Se esses casos não forem levados em consideração, as mulheres brasileiras terão como tipos de câncer mais incidentes o de mama (59 mil casos), de intestino (com quase 19 mil) e o de colo de útero (16 mil). Entre os homens, a próstata é a parte do corpo que deve ser mais acometida pela doença, com 68 mil casos, seguida pelo pulmão, com 18 mil, e o intestino, com 17 mil. (Com Agência Brasil)

