Técnica cirúrgica não atende a todos os casos
Em todo o mundo, estima-se que 5% da população seja portadora de algum tipo de aneurisma cerebral, mas nem todos os casos têm indicação para craniotomia acordada.
De acordo com a equipe de neurocirurgiões da Santa Casa de Londrina, para saber se o paciente é candidato à técnica cirúrgica é preciso uma avaliação minuciosa, considerando o tipo de aneurisma.
No caso de Inez do Amaral- que passou pela cirurgia na Santa Casa de Londrina -, a decisão levou em conta a gravidade do caso. A paciente jovem apresentava um aneurisma grande de 1,3 cm de diâmetro, localizado no lado esquerdo do cérebro, que domina grande parte da fala e os movimentos do lado direito.
Segundo o neurocirurgião Marcelo Haddad, "os riscos eram dela perder a fala ou ficar hemiplégica, sem movimentos do lado direito, caso uma artéria fosse fechada com o clipe metálico e interrompesse a passagem do sangue oxigenado."
A craniotomia acordada para clipagem de aneurisma consiste na reconstrução do vaso sanguíneo através de grampos metálicos, que vão ocluir a passagem do sangue para dentro do aneurisma. "No caso da paciente, tratava-se de uma dilatação bem complexa, cuja reconstrução dependeu de uma série de manobras para a reconstrução", acrescenta.
A técnica da craniotomia acordada foi vista em congressos médicos e estudada minuciosamente pela equipe. "Operamos uma média de 50 aneurismas por ano e isso nos dá uma referência em tratamento cirúrgico e endovascular de aneurisma cerebral. Sendo assim, recebemos alguns casos complexos como esse", completa o neurocirurgião Sérgio Georgeto.
O aneurisma é uma dilatação da parede enfraquecida de uma artéria do cérebro, formando uma espécie de bexiga. O risco maior é de ocorrer uma ruptura desta artéria causando hemorragia ou compressão de outras áreas do cérebro.
Para se ter uma ideia, metade dos pacientes que têm o rompimento do aneurisma morrem antes de chegar ao hospital e, entre aqueles que sobrevivem, cerca de 50% pode ter sequelas importantes. O caso de Inez, primeira paciente submetida à craniotomia acordada, era de um aneurisma não roto.
Considerada grave, a doença tem como principais fatores de risco a hipertensão, o diabetes e o tabagismo. Dor de cabeça súbita, náuseas, vômitos e perda de consciência são os sintomas mais comuns. (M.O.)




