As constantes reinvindicações da população em relação a um atendimento de qualidade por meio do Sistema Único de Saúde (SUS) parece estar chegando às esferas governamentais com efetividade. Agentes públicos têm manifestado interesse em melhorar a qualidade dos serviços prestados pelo SUS. O debate foi intensificado durante a 14 Conferência Nacional de Saúde realizada semana passada em Brasília. No Paraná, a Secretaria Estadual de Sáude (Sesa) afirma que se a população entender a lógica do SUS e souber utilizá-lo, não haverá superlotações nem filas de esperas.
Para a superintendente de atenção primária à saúde da Sesa, Márcia Huçulak, o problema do Paraná não está ligado à falta de leitos, por exemplo, mas à qualidade do atendimento que, segundo ela, poderia ser melhor se a própria população soubesse utilizar o SUS na sua integralidade. Ela lembra que o Estado conta atualmente com cerca de 23 mil leitos, mas que continua registrando altos índices de mortes por doenças preveníveis justamente pela falta de hábito do brasileiro de buscar atendimento básico em busca de prevenção e, consequentemente, mais qualidade de vida.
''Não é simples para o cidadão entender a grandiosidade do sistema, mas hoje o SUS é um sistema incomparável com qualquer realidade no mundo porque tratamos desde questões simples até as mais complexas. Não negamos que há filas nos hospitais, mas a grande maioria dos cidadãos que busca atendimento nos prontos socorros não deveria estar lá'', acredita.
De acordo com o Ministério da Saúde, até o final do ano que vem os municípios brasileiros com indicadores de saúde abaixo das médias estaduais e nacionais contarão com 100% de cobertura de unidades de Saúde da Família. Até 2014, 75% da população estarão incluídos em uma unidade de atenção primária com serviços médicos, odontológicos e de enfermagem, que, segundo o órgão, obedecerão critérios mínimos de qualidade.
''Os problemas atuais do SUS são situações que não dependem apenas da organização, mas também do próprio cidadão. Fortalecendo o atendimento primário, muitos problemas podem ser evitados como por exemplo a superlotação dos hospitais'', ressalta Márcia Huçulak.
Para a superintendente, quanto mais diagnósticos precoces forem realizados por meio dos atendimentos básicos, menos mortes e outras complicações que demandam atendimentos especializados deverão acontecer. ''Hoje em dia sabemos que 70% dos casos de AVC, por exemplo, poderiam ser evitados se as pessoas cultivassem o hábito da prevenção e mais qualidade de vida. A própria obesidade está relacionada a diversas doenças que poderiam ser preveníveis. Estamos trabalhando justamente na possibildade das pessoas entenderem melhor essa ferramenta para que possamos mudar radicalmente a forma como o sistema tem sido utilizado hoje'', finaliza a superintendente.
- A jornalista viajou a Brasília a convite do Ministério da Saúde

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