Surto da bactéria E. coli não ameaça o Brasil
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domingo, 05 de junho de 2011
Vinícius Fonseca <br> <br> Reportagem Local 
Uma variação da bactéria Escherichia coli (E. coli) está tirando o sono de autoridades europeias nos últimos dias, depois que dezenas de pessoas morreram e outras milhares foram infectadas.
A relação entre os pacientes até o momento é ter frequentado a região Norte da Alemanha, mas ainda não se tem certeza sobre onde se concentra o foco de contaminação. Segundo a professora do departamento de microbiologia da Universidade Estadual de Londrina (UEL) Jacinta Sanchez Pelayo a contaminação pode estar em algum tipo específico de alimento ou mesmo na água. Ela acredita que as chances de algo parecido acontecer no Brasil são reduzidas. ''No Brasil aconteceram casos esporádicos de contaminação, temos reservatórios da bactéria, como animais, por exemplo, mas um surto é pouco provável'', opina.
Ela explica que existem vários tipos de E. coli, mas no caso específico da Alemanha a professora garante tratar-se da Escherichia coli produtora de toxina Shiga (STEC) ou ainda de alguma outra variação; diferente do que se especulava no início da crise, quando o ''surto'' era atribuído a E.coli enterohemorrágica (Eceh). ''É importante que se saiba que surtos geralmente são causados por outro tipo de E. coli e essa (a da Alemanha) é uma mutação da STEC. O surto pode ser considerado o primeiro com essa especialidade de bactéria'', diz. ''O que acontece é que algumas terminologias ainda não estão bem definidas e pode ser a E. coli enteroagregativa (Ecea), o que seria uma variação ainda mais rara'', avalia.
Outra curiosidade com relação à bactéria é que ela pode ser encontrada nas fezes, inclusive do ser humano e quando eliminada pelo organismo libera parte da toxina shiga, responsável pelos problemas de saúde. Por isso a professora revela que, diferentemente de tratamentos de outras bactérias, esse não deve envolver antibióticos. ''Cada vez que se elimina a E. coli ela libera a toxina e os antibióticos estimulam o processo, aumentando o risco de o paciente desenvolver a Síndrome Hemolítica-Urêmica que levou pessoas à morte.''
Quanto aos sintomas, Jacinta que é doutora em virulência em E. coli, comenta que na maioria das vezes que uma pessoa apresenta infecção pela bactéria tem um quadro de diarreia simples ou acompanhada de sangramento. O restante acaba desenvolvendo síndrome hemolítico-Urêmica, fato confirmado também pelo mestrando em microbiologia, Fernando Henrique Martins, que atualmente está pesquisando na área. ''Se levantássemos todos os casos de E. coli já registrados cerca de 95% deles são de uma diarreia. A parcela menor de casos desenvolve a síndrome, que é grave'', informa.
Para evitar a contaminação os especialistas destacam a importância de lavar bem os alimentos, evitar o consumo de leite cru e carne malpassada, além de lavar muito bem as mãos constantemente.

