São Paulo - Nem todo mundo se defende contra o HIV da mesma forma: algumas pessoas produzem tipos raros de "superanticorpos" contra o vírus. A eficácia de uma terapia que usa esses anticorpos para controlar um vírus similar ao HIV em macacos é relatada em dois estudos publicados na "Nature".
Infusões dos "superanticorpos" clonados a partir do material colhido de humanos conseguiram reduzir, em uma semana, a carga de HIV a níveis indetectáveis em um grupo de macacos resos.
Esse controle da carga viral, no entanto, não foi duradouro na maioria deles: dois meses após a aplicação da terapia, em média, o número de vírus em circulação voltou a crescer na maioria dos macacos. O controle só permaneceu nos que já tinham uma carga viral mais baixa desde o início do estudo, o que sugere uma ação conjunta do sistema imune dos animais e dos "superanticorpos".

Em humanos


Segundo Michel Nussenzweig, pesquisador brasileiro, da Universidade Rockefeller, que é um dos líderes do grupo responsável por esses trabalhos, o tratamento será testado em humanos no início de 2014, nos EUA. Serão 75 voluntários, e os primeiros resultados devem ser obtidos em julho ou agosto.
A existência desses anticorpos poderosos já é conhecida há anos. Eles se tornaram o objeto de estudo do brasileiro especialista em imunologia.
"Eu sabia que algumas pessoas conseguiam fazer anticorpos poderosos, mas não havia como cloná-los. Desenvolvi um método para isso que é muito eficaz."
Agora, após levantar US$ 10 milhões (a maior parte com a Fundação Bill e Melinda Gates), ele aguarda o início dos testes em humanos.

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