São Paulo - A subvariante arcturus do Sars-CoV-2, vírus que causa a Covid-19, tem sido associada a um quadro de conjuntivite nos pacientes. Febre alta e tosse são outros sintomas relatados. O primeiro caso no país de infecção pela nova cepa foi confirmado no dia 1º de maio, pela Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo. O paciente é um homem de 75 anos, acamado e com comorbidades. Confira quais são os principais sintomas da subvariante arcturus e da conjuntivite e o que fazer em caso de suspeita de infecção.

*

O QUE É CONJUNTIVITE?

A conjuntivite é uma inflamação nos olhos que pode ocorrer diante de alguma infecção. Um exemplo de patógeno causador de conjuntivite é o adenovírus, vírus respiratório que causa um quadro gripal, afirma Ricardo Paletta Guedes, presidente da SBO (Sociedade Brasileira de Oftalmologia).

O vírus que causa a Mpox é outro exemplo de microrganismo que pode levar à conjuntivite. O próprio Sars-CoV-2 já era conhecido por ter relação com inflamação nos olhos.

Segundo Guedes, alguns infectados com a cepa original apresentavam conjuntivite. Com o surgimento de variantes como a delta, caiu o número de pacientes que relataram o sintoma –ao menos até agora.

"Já vimos alterações oculares com a Covid em outras variantes. Até com o exame PCR do Sars-CoV-2 identificando o vírus em secreção dos olhos", afirma Raquel Stucchi, infectologista e professora da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas).

QUAIS OS SINTOMAS DA CONJUNTIVITE?

Por ser causada por um vírus, a conjuntivite associada à Covid-19 é do tipo viral. Ela normalmente atinge os dois olhos do paciente, além de provocar um quadro de gripe.

De praxe, uma conjuntivite viral causa lacrimejamento, secreção ocular, vermelhidão nos olhos, sensação de corpo estranho (como se algo estivesse arranhando o olho) e pálpebra inchada.

Na conjuntivite bacteriana, por sua vez, os sintomas tendem a ser mais incômodos. "São muito mais sintomas, e mais graves. A secreção é purulenta: você tira a secreção do olho, dois minutos depois está com ela de novo", afirma Guedes.

A conjuntivite do tipo bacteriana ainda guarda a peculiaridade de geralmente atingir apenas um olho. Além disso, não costuma causar sintomas gripais.

DEVO PROCURAR UM MÉDICO?

Depende da gravidade do quadro. Se for o caso de uma conjuntivite viral, é comum que o paciente consiga lidar com os sintomas lavando o olho com soro fisiológico. "É para sempre lavar e não deixar acumular secreção no olho", aconselha o presidente da SBO.

Mas pode ser que o quadro não melhore. Se for assim, é importante buscar uma ajuda médica. "Se [os sintomas] persistirem por mais de 2 a 3 dias, a pálpebra inchar muito, a secreção aumentar demais, ela deve procurar um oftalmologista para ele avaliar a necessidade ou não de passar algum colírio anti-inflamatório", completa Guedes.

TENHO SINTOMAS DE CONJUNTIVITE. COMO SABER SE É COVID?

Assim como já acontecia antes, independente da conjuntivite ser um sintoma de Covid, a melhor forma de descobrir se está com a infecção é a realização de algum teste da doença. Os autotestes são mais rápidos e baratos, mas têm chances de resultar em um falso negativo. Já os do tipo PCR trazem resultados mais precisos.

Outros sintomas típicos da Covid dão pistas se é um caso da doença. Além disso, de acordo com relatos, a arcturus, além da conjuntivite, causa principalmente tosse e febre alta.

Guedes acredita que, com os relatos da conjuntivite associados a arcturus, é importante realizar um teste para Covid ao observar um quadro da inflamação no olho. "Diante dessa nova cepa, todo mundo com quadro de conjuntivite viral nessa época deveria fazer o teste."

Além disso, outros cuidados já conhecidos contra o Sars-CoV-2, como máscaras de proteção e evitar lugares fechados, continuam importantes.

O QUE SE SABE SOBRE A ARCTURUS?

A arcturus, que tem o nome técnico XBB.1.16, foi inicialmente registrada em 9 de janeiro de 2023. Ela tem um perfil semelhante ao da XBB.1.5, subvariante que assustou a OMS quando foi descoberta, por sua capacidade de transmissão. A arcturus, no entanto, guarda duas mutações diferentes na proteína S, utilizada pelo vírus para entrar nas células humanas.

Já são ao menos 37 países com registro da cepa, sendo a Índia o que concentra maior número de casos. O alastramento fez com que a OMS a considerasse uma variante de interesse, com risco de causar o aumento de casos em diferentes regiões do mundo, mesmo sem haver evidências de que resulte em casos graves.

Embora outras cepas do vírus já afetavam os olhos, a arcturus parece lesionar mais a região. "O que chama atenção com essa nova subvariante é de que é mais frequente o relato de conjuntivite junto com febre alta e tosse. Isso a gente não via com tanta frequência nas outras variantes que apareceram", explica Stucchi.