Não só governantes e autoridades trabalham para o bem-estar da população. Mesmo numa cidade jovem como Londrina, a solidariedade sempre fez parte da história. Pessoas, entidades e nos últimos anos, Organizações Não-Governamentais (ONG), têm se dedicado a melhorar a vida de quem precisa de ajuda. O projeto Mil Ongs tem 290 organizações cadastradas. Só a Secretaria de Ação Social de Londrina possui uma lista de 101 entidades assistenciais conveniadas à prefeitura. Seja na área da saúde, da educação, apoio a crianças, idosos ou deficientes físicos, cada uma promove o auxílio necessitado em cada segmento.
  Há 20 anos na cidade, a Associação dos Deficientes Físicos (Adefil) já perdeu a conta do número de pessoas que ajudou. Cadastrados, a entidade possui 1,5 mil portadores de deficiência física. A associação dá informações sobre passe de transporte livre, oferece curso de digitação gratuito e encaminha os associados para o mercado de trabalho. Da prefeitura, a Adefil recebe R$ 500 por mês, valor que dá apenas para cobrir as despesas com aluguel, energia elétrica e condomínio.
  O Grupo de Apoio a Doentes com Câncer (Gapacan) foi fundado em junho de 2000 e a secretária da entidade, Clarice Pereira Lima, estima que mais de mil pessoas já receberam atendimento. Ela detalha que o Gapacan distribui cestas-básicas, leite, remédios e trabalha também o lado psicológico do doente e da família. ‘‘Nosso objetivo é oferecer uma melhor qualidade de vida para eles’’, salienta. A entidade se mantém através de doações e segundo Clarice, são necessários cerca de R$ 6 mil para custear todas as despesas. Para aumentar a renda, eles instalaram uma barraquinha para a venda de cartões de Natal no Calçadão.
  Na Casa dos Renais Crônicos a colaboração também vem de voluntários. O presidente da associação, Luiz Carlos Donner, explica que a casa existe há um ano e tem o objetivo de ajudar pessoas carentes com problemas renais. A entidade distribui cerca de 80 cestas-básicas por mês, remédios e dá apoio jurídico e psicológico com a ajuda de convênios com instituições de ensino superior. Donner acredita que na região existem 700 pessoas que fazem hemodiálise e conta que a entidade tem um convênio com a Copel que torna possível a doação de qualquer quantia através da conta de energia elétrica. Além dessa renda, eles fazem chás beneficentes, bingos e rifas para ajudar nas despesas.
  Não só os grupos são solidários. Em Londrina é possível encontrar pessoas que colaboram individualmente. Valcuruci Jorge dos Santos é um deles. Há sete anos ele monta enxovais de bebês para doar à mães carentes. Atualmente ele trabalha numa empresa de limpeza e ganha R$ 255 por mês. Desse valor, retira R$ 50 para doações e ainda recolhe latas, papéis e papelão na rua para aumentar a quantia. ‘‘O salário é pouco’’, justifica. Ele compensa o que falta em valores com solidariedade.
  A boa vontade de Santos acabou conquistando uma ajuda inesperada. Um colégio da cidade doou 15 enxovais neste fim de ano. ‘‘Tenho 80 gestantes esperando e esses kits vão ajudar’’, comemora. Ele recorda que tudo começou quando ele conheceu uma mãe que ia dar a filha porque não tinha nem roupas para vestir o bebê. Ele resolveu ajudar e doou carrinho, berço e roupinhas. Hoje, ela cria a filha em Ibiporã. ‘‘É um trabalho comovente’’, simplifica. Quem quiser colaborar com Santos pode entrar em contato com ele pelo telefone 9106-3251.

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