Sociedade médica fala em excesso de prevenção
A Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade (SBMFC) defende que a vacinação contra a dengue pode ser considerada excesso de prevenção. De acordo com nota enviada à imprensa, a vacina poderia ser desnecessária já que a doença é considerada benigna e apresenta queda na taxa de mortalidade se comparada a anos anteriores. De acordo com Rodrigo Lima, membro da SBMFC, as mortes relacionadas à dengue estão ligadas ao diagnóstico tardio e às suas complicações.
"Dizemos que há excesso de prevenção, quando desenvolvem-se ações direcionadas para prevenir condições que não necessariamente trariam malefícios ou quando os benefícios da ação preventiva não estão bem fundamentados. É o que aconteceria com a popularização de tal vacina."
Apesar dos dados já publicados e de outros estudos sendo finalizados sobre a atuação da vacina, o médico questiona a eficácia. "No momento atual da medicina, o ceticismo é a posição mais sensata, hoje ainda não é possível afirmar se essa nova imunização será benéfica ou não", afirma Lima.
O diretor da SBMFC, Ademir Lopes Junior, destaca que antes de implantar uma política pública de vacinação é preciso ter evidência clara de que há benefício para a população. "Acreditamos que há precocidade na intervenção", afirma. "No caso da dengue os estudos ainda estão em andamento. Há algumas evidências de que a vacina pode reduzir a mortalidade, mas seriam necessárias outras etapas para avaliar isso em nível populacional", acrescenta.
Ele questiona se o benefício será realmente efetivo e se a vacina terá efeitos colaterais na imunização de grandes populações. "Não somos contra a vacina, mas achamos que é preciso ter pesquisas com resultados positivos antes de termos uma politica pública com este fim", defende. (M.A.)





