Essa é a pergunta que pesquisadores canadenses consideraram para um estudo na Universidade de Waterloo. Eles avaliaram se a comodidade dos smartphones pode comprometer as habilidades cognitivas e até mesmo a disposição das pessoas para pensar de forma analítica.

Isso porque os aparelhos celulares com acesso à internet tornaram muitas tarefas cotidianas acessíveis a um toque. Hoje, não é preciso decorar telefones, anotar compromissos e, diante de qualquer dúvida, a resposta estará na ponta dos dedos.

O estudo sugere que os usuários de smartphones que são pensadores intuitivos, ou seja, mais propensos a confiar na intuição e instinto para a tomada de decisões, frequentemente usam os aplicativos de busca do dispositivo ao invés da própria capacidade de raciocínio.

Em uma publicação oficial, um dos autores do estudo, Gordon Pennycook, afirmou que esses usuários muitas vezes procuram informações "que realmente sabem ou poderiam facilmente aprender, mas não estão dispostos a fazer um esforço para pensar realmente sobre isso."

A pesquisa envolveu 660 participantes que foram examinados quanto aos hábitos nos smartphones, assim como em diferentes questões cognitivas, como capacidade intuitiva e analítica e as habilidades verbais e matemáticas.

Um dos pesquisadores, Nathaniel Barr, afirmou, porém, que a pesquisa fornece suporte para uma associação, mas deixa claro que a questão da relação dos smartphones com a diminuição da inteligência ainda é uma questão em aberto, que requer investigação futura.

"Um tempo atrás, quando a gente não tinha todo esse acesso às informações, provavelmente usávamos o cérebro de maneira diferente. Hoje, com todas essas tecnologias é possível que as pessoas, especialmente as crianças, desenvolvam habilidades diferentes", observa o geriatra Alexandre Busse.

Entretanto, ele ressalta que a resposta em relação aos efeitos e até mesmo sobre o que se espera dessa geração quanto ao funcionamento cognitivo, só surgirá daqui um tempo. "Particularmente, acho que qualquer tipo de aparato que possa servir como apoio à memória é benéfico", completa.(M.O.)

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