O nosso organismo sabe se defender, porém algumas situações no dia a dia podem comprometer essa proteção. É quando ouvimos dizer que nossa imunidade está baixa. Mas será que é possível reconhecer essa condição? E quais são os fatores de risco?
Para responder a estas questões, a FOLHA conversou com Loraine Landgraf, especialista em Alergia e Imunologia pela Associação Brasileira de Alergia e Imunopatologia (Asbai) e presidente da regional Paraná. Ela explica que nosso sistema imunológico se defende de duas maneiras: através das células linfócitos T e das imunoglobulinas, que são os anticorpos.
"Quando o organismo se sente ameaçado, ele lança esse tipo de defesa. E, hoje, isso pode ser quantificado por meio de exames de sangue, que fazem a contagem do número das células e a dosagem do nível dos anticorpos. Isso significa que é possível descobrir com precisão se a imunidade está baixa ou não", completa.
Para quantificar esses resultados, há uma tabela que varia de acordo com a idade do indivíduo. "Até os 5 anos de idade, o sistema imunológico está em formação e por isso as crianças são mais suscetíveis, assim como os idosos, pois a partir dos 60 anos é natural que ocorra uma queda da imunidade", diz.
Nesta época do ano, as gripes e resfriados são bem comuns e podem ser resultado da fragilidade do sistema imunológico, devido à oscilação de altas e baixas temperaturas por conta do "entra e sai" de ambientes climatizados.
Com isso, o organismo fica mais suscetível também aos demais vírus, fungos e bactérias, que podem se manifestar, por exemplo, através de uma pneumonia, infecções de ouvido, candidíase, herpes, aftas, diarreias crônicas e abscessos na pele.
"Todos são sinais de alerta para uma investigação da imunidade, pois esses quadros podem ser provocados por fungos e vírus oportunistas, ou seja, que aproveitam a situação de baixa imunidade do organismo", afirma.
O ginecologista Edmund Baracat, do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, comenta que, em condições normais, uma pequena quantidade de fungo - em geral a Cândida Albicans - vive na região da vagina e é controlada pelos sistema imunológico. Quando há um desequilíbrio, ou seja, a defesa do corpo enfraquece, o número destes micro-organismos aumenta, provocando os sintomas da candidíase, como inchaço, coceira, inflamação vulvar e vaginal.

VIROSES E ESTRESSE
Em relação às viroses que acometem, principalmente, as crianças, o gastropediatra Thiago Gara, do Hospital e Maternidade São Luiz Anália Franco, afirma que neste período aumenta a incidência da diarreia viral, doença gastrointestinal muito comum na idade escolar. "Crianças com baixa imunidade, com o hábito de levar objetos sujos à boca também apresentam mais propensão a essas doenças", diz.
Outro fator que tem relação direta com a baixa imunidade e que muitas vezes passa despercebido é o estresse. "Seja por situações pontuais ou na correria do dia a dia, ocorre uma maior produção de cortisol, conhecido como hormônio do estresse, e isso altera nossa imunidade. É um fator que temos visto com frequência no consultório", observa Loraine.

COMPLICAÇÕES
As complicações que podem decorrer da baixa imunidade são as doenças chamadas imunodeficiências. "Se os exames confirmarem, por exemplo, a baixa produção de anticorpos, é possível fazer essa reposição. Há medicamentos disponíveis, porém ainda a um alto custo", afirma.
Caso os resultados mostrem que o organismo não está produzindo as células linfócito T, a especialista alerta para uma situação mais grave. "Esse tratamento pode chegar até a necessidade de um transplante de medula, pois é ela quem produz essas células", revela.
Vale lembrar também que alguns quadros alérgicos podem ser confundidos com a baixa imunidade. "Aquele indivíduo que chega no consultório dizendo que vive resfriado, com o nariz trancado, por exemplo, pode ser um paciente alérgico. É por isso que é importante investigar", comenta.

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