O médico cardiologista do Centro do Coração de Londrina, Luiz Carlos Miguita, costuma dizer que as mulheres são felizes até a fase do climatério. Segundo ele, até essa idade elas apresentam um fator de proteção contra a doença circulatória em razão dos altos níveis de hormônios (estrógeno). Miguita explica que com a menopausa as taxas hormonais tendem a cair e as doenças cardiovasculares se elevam, igualando a incidência do sexo masculino.
''Observamos também uma mudança significativa, de três a quatro décadas para cá, desde que a mulher entrou para o mercado competitivo imposto pela sociedade capitalista atual, acarretando mudanças na dieta com ingestão de grande quantidade de calorias, dedicando menos tempo para atividade física. Elas também passaram a fumar mais e ganharam peso'', diz.
Pesquisas apontam que atualmente mais de 40% das mulheres estão com sobrepeso ou já se tornaram obesas. Com isso, aumentou a incidência de hipertensão arterial, diabetes e dislipidemias (alteração do colesterol e do triglicérides).
Coração partido
Ainda segundo Miguita, uma doença comum entre mulheres de meia idade conhecida por ''Síndrome do Coração Partido'' está diretamente ligada às questões emocionais. Ele conta que a manifestação da doença é a de um infarto do miocárdio com alterações típicas no eletrocardiograma e nas provas laboratoriais. Apesar da recuperação ser rápida, o diagnóstico é feito por meio de um cateterismo cardíaco que mostra um coração com a ponta dilatada e inativa, além do restante do órgão apresentar contração normal adquirindo o formato de um polvo. ''Daí o motivo de a doença também ser conhecida por Takotsubo (tako significa polvo em japonês), pois foi descrita a primeira vez no Japão''.
De acordo com o médico, para que a incidência das doenças cardiovasculares possa ser menor no futuro, é preciso que a sociedade como um todo busque hábitos de vida saudáveis desde a idade infantil. Ele lembra que hoje em dia os jovens já tem apresentado elevações do peso em cerca de 40%. ''O coração da mulher é menor e suas artérias são mais finas. Por isso, as doenças arteriais podem ser mais graves que nos homens. Além de terapia medicamentosa quando há a confirmação de uma patologia, é preciso que não só a mulher mas também os homens adotem uma qualidade de vida mais saudável'', finaliza. (F.B.)

Imagem ilustrativa da imagem 'Síndrome do coração partido' está ligada ao emocional
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