Síndrome de Down: estímulo é palavra de ordem
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segunda-feira, 18 de março de 2013
Michelle Aligleri <br> Reportagem Local 
Na próxima quinta-feira é o Dia da Síndrome de Down, data que chama atenção para a vida de mais de 300 mil brasileiros. Provocada pela trissomia do cromossomo 21, a síndrome é resultado de uma divisão errada dos cromossomos. Enquanto as pessoas sem a síndrome têm 46 cromossomos em cada célula do corpo, as que possuem a síndrome têm 47. O excesso de material genético pode resultar, no caso da Síndrome de Down, em diversas doenças associadas. De acordo com o médico pediatra Ary Parreira, a síndrome é uma alteração genética, mas não tem fundo hereditário. ''Por ser genética, não há cura e nem tratamento, o que se pode fazer são estímulos para que este indivíduo cresça da melhor maneira possível'', explica.
Crianças com síndrome de Down possuem atraso neuropsicomotor, demoram para andar, falar, e possuem atraso cognitivo. Elas apresentam músculos mais fracos (hipotonia muscular) do que os outros bebês e isso faz com que o desenvolvimento motor seja mais lento. ''Um problema comum nestes casos é a cardiopatia congênita. O comprometimento do coração pode ser de leve a grave e colocar a vida da criança em risco, por isso há situações em que é preciso fazer cirurgia corretiva com a criança ainda recém nascida'', afirma.
A principal palavra para quem tem uma criança com Síndrome de Down em casa é estimulação. ''O bebê requer cuidados especiais. Ele tem mais dificuldade para mamar, por exemplo. Por causa da hipotonia ele não tem força suficiente para sugar'', orienta Parreira.
Conforme a fonoaudióloga Renata Silva Parreira, o quanto antes começar a estimulação, melhor será o desenvolvimento da criança. ''A estimulação motora, cognitiva, de memória, de audição e de fala são base para que a criança consiga se comunicar e ter um bom relacionamento quando tiver contato com outras pessoas'', destaca.
Para a neuropediatra Maria Stella Lessa Paganelli, dentro da Síndrome de Down existem vários perfis de pacientes, e as dificuldades variam de uma pessoa para outra. ''Sabemos que eles tem comprometimento cognitivo e atraso mental, fazemos testes para identificar o grau da deficiência. Mas o segredo está nos estímulos. Alguns pacientes, quando bem trabalhados, conseguem superar muito bem o problema'', destaca.
Inclusão nas escolas
Especialistas recomendam que as crianças com Síndrome de Down sejam matriculadas em escolas de ensino regular e que convivam na mesma sala que as demais crianças. O pediatra explica que elas aprendem mais devagar, mas que o convívio com os colegas é muito importante. ''As crianças com e sem Down convivem muito bem, o preconceito parte dos adultos. As escolas precisam trabalhar a questão da inclusão com os alunos, mas também com os professores'', destaca.
Parreira explica que de modo geral as crianças com Down se desenvolvem normalmente, apesar do atraso, e que por conta do acompanhamento precoce e da estimulação estas pessoas estão vivendo mais e com mais qualidade.
Diagnóstico
Pesquisas apontam que mulheres cuja primeira gestação ocorre após os 35 anos têm chances aumentadas de terem filhos com a Síndrome de Down. Exames podem identificar a alteração genética antes mesmo do nascimento do bebê, mas a certeza só se dá após o nascimento e a realização do cariótipo - que é a análise dos cromossomos. ''Após a suspeição pelo ultrassom pode se fazer exames no líquido amniótico e até na placenta durante a gestação para buscar confirmações, mas eu particularmente sou contra porque o diagnóstico não vai mudar a vida daquele casal. O que eles precisam fazer é se acostumar com a ideia de ter uma criança com Down em casa'', salienta o pediatra.

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