Simples, papanicolau não pode faltar
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segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012
Fernanda Borges <br> Reportagem Local 
Não é de hoje que agentes da sáude propagam a importância da realização anual do preventivo de câncer de colo de útero, conhecido como papanicolau. Apesar de muitas mulheres aderirem ao hábito nos últimos anos, ainda hoje há resistência por parte de algumas que deixam para procurar um ginecologista somente quando já há indícios de algum problema. O exame preventivo têm o potencial de diminuir drasticamente a mortalidade por esse tipo de câncer, já que consegue diagnosticar precocemente a evolução de células cancerígenas. Especialistas reforçam a importância de toda mulher - que tem ou já teve atividade sexual - submeter-se ao exame, principalmente aquelas na faixa de 25 a 59 anos de idade.
Recente levantamento do Instituto Nacional do Câncer (Inca) para 2012 apontou que o Brasil terá mais de 17,5 mil casos de câncer do colo do útero. O diretor clínico do Hospital do Câncer de Londrina, José Couto, afirma, no entanto, que só desenvolve esse tipo de câncer a mulher que for descuidada porque é um dos tipos mais preveníveis que existe.
''Existe a possibilidade de não identificar o câncer se a coleta for mal feita porque o material precisa ser bem colhido. Por isso, é importante que a mulher procure um especialista e não qualquer outro profissional. Não adianta querer delegar a função da coleta para um paramédico, como muitas vezes o sistema público de saúde quer fazer'', alerta o médico. ''A colocação do espéculo para visualizar o colo muitas vezes provoca dor. Se o profissional não posicionar a paciente direito, não vai visualizar o colo direito. Uma paciente que tenha muitos filhos, por exemplo, que tenha rotura dos partos anteriores ou bexiga caída, conta com tecidos flácidos que podem atrapalhar a visão correta do colo'', completa.
O câncer de colo do útero é a terceira neoplasia mais comum entre as mulheres, superada somente pelo câncer de pele (não-melanoma) e pelo de mama. Dados do Inca dizem também que esse tipo é considerado a quarta causa de morte por câncer em mulheres, com mais de 5 mil óbitos em 2009.
Couto, que também é ginecologista e obstetra, lembra que as mulheres devem se atentar ao melhor dia para colher o preventivo. Menstruação, muco ou corrimentos podem interferir no resultado do exame.
''O exame preventivo oferece uma cobertura de 98% a 99% de diagnóstico se for feito decentemente. Mas, só a coleta do Papanicolau é insuficiente. O médico precisa olhar o colo do útero com a lente de aumento para ver se existem lesões que podem estar um pouco longe do orifício do colo. Podem escapar algumas lesões que estão fora da visão da coleta, mas isso é uma situação mais rara'', afirma.
Raro
Apesar de realizar anualmente o exame preventivo, a médica ginecologista Karine Pato Hoffmann descobriu um câncer de colo de útero aos 34 anos de idade e precisou passar por intervenção cirúrgica para retirada não só do útero, mas também dos ovários. Hoje, cinco anos depois da luta contra a doença e já curada, ela vive o que os especialistas chamam de ''menopausa cirúrgica'', pela falta da produção de hormônios dos ovários. A dificuldade em lidar com todos os problemas - que envolveram não só a retirada dos órgãos, mas também tratamento de quimio e radioterapia - foi superada pela médica, que hoje faz questão de alertar suas pacientes quanto à importância do preventivo.
''No meu caso, o câncer estava dentro do canal. Não era um câncer raro, mas a sua localização dificultou o diagnóstico precoce'', conta. ''Além da mulher fazer o preventivo todo ano, também precisa estar atenta às coisas que normalmente acontecem no seu dia a dia, como um sangramento após a relação sexual ou um corrimento malcheiroso. Esses sintomas são intermediários. Se você está sentindo isso é porque já tem a lesão. Daí a importância do preventivo'', finaliza.


