A hepatite pode ser resumida como uma inflamação do fígado, causada por vírus, uso de remédios, álcool e outras drogas e transmitida pelo contato sanguíneo.
No Brasil, as mais comuns são dos vírus A, B e C, sendo este último o mais perigoso, uma vez que os sintomas geralmente se manifestam em um estágio avançado, com risco de evoluir para uma cirrose e câncer do fígado e até levar à morte.
A gravidade da doença e a importância de um diagnóstico precoce formam a base do desafio que o país tem que encarar: esclarecer e informar a população em geral sobre a doença.
Uma pesquisa da Sociedade Brasileira de Hepatologia (SBH), de 2011, revela que a maioria dos entrevistados (51%) não sabe dizer o que é hepatite C; 84% nunca fez um teste de detecção para a doença e apenas 1% considera a doença grave. Segundo o Ministério da Saúde, na última década foram 14.873 óbitos decorrentes da hepatite C.
No Brasil, entre 1,5 milhão de pessoas infectadas pela doença, 70% são casos crônicos, 40% representam os casos de cirrose e 60% de cânceres primários de fígado. O hepatologista Raymundo Paraná observa que a maioria dos brasileiros portadores do vírus foram contaminados na década de 1970, 1980 e início de 1990.
"Épocas em que não havia a cultura do descartável, os dentistas não tinham autoclave, as tatuagens eram feitas sem o crivo da Vigilância Sanitária e não se rastreava a Hepatite C em transfusão de sangue. Todos esses fatores aumentaram as chances de exposição desses indivíduos e esse contingente de pacientes está evoluindo hoje para a doença em uma fase onde as lesões do fígado são absolutamente irreversíveis", alerta.
O especialista ainda afirma que o Brasil realiza 1.800 transplantes de fígado e que mais da metade são por Hepatite C. "A sexta causa de câncer no país é o de fígado e 70% dos casos são provocados por essa doença. Só chegamos a este estágio porque perdemos a chance de diagnosticar e tratar uma doença curável", destaca (M.O.)

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