Silenciosa e fatal
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domingo, 18 de agosto de 2013
Michelle Aligleri<br>Reportagem Local 
Uma doença que atinge um em cada três brasileiros e pode levar à morte. Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) apontam que a hepatite viral afeta 424 milhões de pessoas no mundo e é responsável pela morte de 1,4 milhão de pessoas todos os anos. Os números são epidêmicos. Somente o vírus da hepatite C infecta cinco vezes mais do que o HIV, causador da aids. A hepatite pode ser transmitida de várias maneiras, e possui tratamentos e consequências que variam conforme o tipo de vírus causador da infecção.
Ela é considerada silenciosa porque às vezes demora até 30 anos para se manifestar por isto a maioria dos pacientes descobre muitos anos depois de terem sido infectados. A doença afeta o fígado e, com o passar dos anos, provoca cirrose e pode desencadear o câncer.
Ao todo são sete tipos de vírus de hepatite (A, B, C, D, E, F e G) e a incidência deles varia conforme as regiões geográficas. Segundo a Vigilância Epidemiológica, em Londrina, há registro apenas dos tipos considerados mais comuns: A, B e C (veja mais nesta página).
De acordo com o médico gastroenterologista, Pedro Humberto Perin Leite, o vírus tipo A é o menos preocupante. Transmitido por frutas, verduras e legumes mal lavados, ele não apresenta sintomas, não deixa sequelas e é 100% curável. "Muitas vezes a pessoa nem sabe que foi infectada porque se cura sozinha", salienta o médico. Mas não foi este o tipo de hepatite que infectou o bancário aposentado Richardson Moura, de 65 anos. Desde fevereiro de 2006, quando descobriu a doença, ele luta contra uma das formas mais graves da hepatite C, transmitida pelo sangue. "Eu sentia um incômodo muito grande no estômago, parecia que os alimentos não faziam digestão. Procurei um gastroenterologista e os exames deram positivo para a hepatite. Ele disse que a doença já estava se manifestando e que era preciso iniciar o tratamento o quanto antes", lembra.
Terapia
O tratamento da doença custa entre R$ 6 mil e R$ 8 mil por mês e para conseguir os remédios pelo Sistema Único de Saúde (SUS) o paciente precisa entrar com uma ação judicial. "O índice de cura do paciente depende do estágio em que a doença se encontra e do tipo do vírus da hepatite", alerta o médico. Por este motivo a primeira batalha de Richardson contra a hepatite foi na Justiça. Passada esta fase e com o remédio em mãos o tratamento foi iniciado. "Os remédios são muito fortes, eles dão febre, dores pelo corpo, inflamações, enjoo, irritação, e vários outros efeitos desagradáveis. O tratamento tem duração de um ano e no meu caso as chances de cura eram de apenas 40%", explicou. O aposentado lembra que foram oito meses de muita dificuldade até um exame apontar que o tratamento não havia sido efetivo e que ele já estava apresentando cirrose.
Transplante
O diagnóstico veio acompanhado da informação de que a continuidade da vida do aposentado dependia de um transplante de fígado. "Ficamos sabendo que Blumenau, em Santa Catarina, é um centro deste tipo de transplantes e nos mudamos para lá para entrar na fila", comenta a culinarista Regina Moura, esposa de Richardson. Apesar da fila de transplantes na cidade andar mais rápido do que em outros lugares, a situação dele era complicada porque na época Richardson estava com apenas 30% do fígado funcionando, e além disso ele tem sangue B+, considerado um tipo raro.
Após um ano que o casal estava morando no Estado vizinho, uma ligação mudou a vida da família. "A pessoa do outro lado da linha disse que tinha um fígado para o meu marido e pediram para que estivéssemos no hospital em uma hora", lembra Regina. Dois meses depois da cirurgia, o casal voltou para Londrina, mas em poucos dias Richardson teve uma recaída e os exames apontaram que a doença havia voltado ainda mais forte. "Precisei iniciar um novo tratamento com remédios mais modernos, também fortes e com todos aqueles efeitos colaterais de novo". Um ano depois, novas avaliações apontaram que Richardson estava curado. No mês que vem, quando completa três anos que fez o transplante, ele será submetido a mais um exame para confirmar sua cura.
Diante de tantos momentos difíceis, Regina e o esposo se tornaram atuantes na conscientização de pessoas sobre a importância da doação de órgãos. Para chamar atenção sobre o assunto, Richardson aproveita suas caminhadas diárias para carregar uma faixa que alerta sobre o assunto. "Há muito preconceito contra a doação de órgãos, mas todo mundo está sujeito a passar por uma situação como esta", ressalta.
SERVIÇO
■ Mais informações pelo www.abphepatite.org.br

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