Pesquisas realizadas pela Sociedade Brasileira de Estudos em Sexualidade Humana (Sbrash) apontam que cerca de 40% da população feminina sofre com algum tipo de disfunção sexual. Os problemas vão desde questões orgânicas como o vaginismo, ausência de orgasmo, até outros ligados a questões psicológicas. Ainda assim, especialistas afirmam que de nada adianta inserir tratamentos terapêuticos na paciente quando ainda há problemas ligados ao parceiro. A complexidade do sexo feminino e as formas de tratar as disfunções sexuais foram discutidas durante o XII Congresso Brasileiro de Sexualidade Humana, na semana passada em Londrina.
O ginecologista e sexólogo, membro da Sociedade Brasileira de Estudos em Sexualidade Humana, Amaury Mendez Junior, lembra que recentemente descobriu-se que o funcionamento do desejo e excitação da mulher é bem diferente do homem. Segundo ele, a mulher precisa da confirmação do seu subjetivo para conseguir um bom desempenho sexual.
''Muitas mulheres podem ficar excitadas e não desejarem participar de uma atividade sexual. O que se vê muito é esse subjetivo, que é uma construção social e que está ligado ao histórico sexual, família e sensações internas dessa mulher em relação ao seu próprio corpo e seus próprios sentimentos'', diz.
O especialista acredita que, apesar das diversas opções de tratamentos para as disfunções sexuais, a medicina sozinha não tem condições de tratar a questão biopsicossocial da mulher. ''Sabemos agora que não basta ter desejos para obter um orgasmo, é preciso uma construção. O homem pode ir a um enterro durante o dia com a mulher e à noite ele vai querer transar. A mulher não, ela precisa construir o seu desejo para ficar excitada'', explica.
A disfunção sexual pode envolver dor nas relações sexuais ou alteração na resposta sexual que afete o desejo, a excitação ou o orgasmo. Dados estatísticos apontam que cerca de 30% a 50% das mulheres apresentam uma disfunção sexual em algum momento da vida. Para identificar a causa, o médico busca saber qual o histórico clínico e sexual da paciente, além de realização de exame pélvico.
O médico e terapeuta sexual Jorge Serapião lembra que as ferramentas médicas para lidar com as disfunções sexuais são: substâncias químicas, cirurgias e técnicas de fisioterapia. Segundo ele, em um grupo de substâncias encontram-se os hormônios, bastante difundidos nessa área, principalmente para as mulheres na menopausa.
''As mulheres com baixo nível de estrogênio têm uma atrofia vaginal que torna o relacionamento extremamente desconfortável fazendo com que elas até diminuam o seu desejo de relação sexual. A vantagem deste hormônio é a melhoria das condições da vagina. Também sabemos da ação da testosterona que interfere na sexualidade tanto de homens como de mulheres'', afirma.
Ainda segundo Serapião, a fisioterapia também possibilita, por meio de exercícios, que a mulher desenvolva a musculatura do períneo para fazer com que ocorra melhores contrações durante o orgasmo e, consequentemente, mais prazer. ''Nem sempre as disfunções sexuais femininas estão ligadas às condições da mulher, mas às condições da parceria. Uma mulher que não está tendo um bom resultado sexual com o atual parceiro não terá bom desempenho com nenhum tipo de tratamento. Conclusão: só se deve fazer um tratamento hormonal depois de excluídas, seriamente, as condições relacionais que poderiam justificar o desinteresse antes de se usar o hormônio'', finaliza.

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