Semente poderosa
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 23 de janeiro de 2012
Fernanda Borges <br> Reportagem Local 
Quem olha a chia não consegue acreditar que uma semente tão minúscula pode concentrar tantas propriedades nutritivas importantes para o organismo humano. De origem mexicana e consumida há mais de 2 mil anos pelos povos andinos - em especial pelos maias e astecas -, a chia ganha cada vez mais espaço no Brasil e conquista a mesa daqueles que procuram um alimento rico em ômega 3. Além de contribuir para a saciedade, fazendo com que as pessoas percam peso, a semente também é importante fonte de fibras, proteínas, minerais e antioxidantes.
De acordo com a nutricionista Stefania Valente da Silva, da Herbarium - uma das distribuidoras do produto no Brasil -, o alimento é capaz de prevenir e diminuir o risco de problemas cardiovasculares que atuam sobre os níveis de colesterol, pressão alta, obesidade e diabetes. Ela lembra que, além da grande quantidade de ômega 3, a semente conta com proteínas de alto valor biológico, tem ação antiinflamatória e grande capacidade de absorção de glicose, ideal para a prevenção do diabetes e controle da insulina.
''Só do ômega 3 podemos obter vários benefícios. Além do emagrecimento com a diminuição de marcadores inflamatórios que podem causar a obesidade, o ômega 3 diminui os níveis de colesterol ruim fazendo com que o sangue circule melhor no organismo. Sabemos que o ômega 3 também é benéfico para a saúde cerebral, todas as células do corpo e várias outras funções importantes e essenciais para nossa vida'', aponta.
Parecida com o gergelim, porém, com uma coloração mais escura, a chia pode ser consumida em sua forma natural, sem a necessidade de trituração para obter seus nutrientes, como exigem diversas outras sementes. A nutricionista explica que o alimento pode ser utilizado no preparo de bolos, pães e massas, além de ser normalmente consumido com cereais matinais, sopas, saladas, iogurtes, sucos, vitaminas, frutas, entre outros. A fibra também é outro ponto forte da chia, o que, segundo os especialistas, ajuda na regulação da função intestinal.
Segundo Stefania, o que chamou atenção dos pesquisadores, recentemente, ao estudar a história da chia, foi observar que os povos que consumiam a semente conseguiam ficar mais tempo em jejum, lutar, além de manter suas atividades normais por um período maior.
História
A chia era uma das principais fontes de alimentação dos povos andinos da era pré-colombiana, com plantio desde 2600 a.C. Era cultivada no México e na Guatemala e consumida principalmente pelos maias e astecas para aumentar a resistência física. No entanto, a semente também estava atrelada a rituais sagrados e servia como oferenda aos deuses dessas civilizações, o que despertou a ira de espanhóis católicos que viam a cerimônia como um ritual pagão. Com isso, seu cultivo foi extinto por séculos e só foi retomado no início da década de 1990 por um grupo de pesquisadores argentinos em parceria com a Universidade do Arizona (EUA). Desde então, os cientistas vêm pesquisando o alimento.
Ainda segundo Stefania, a recomendação de consumo diário de chia pode ser de 10 a 8 gramas, o que equivale a uma colher de sopa. ''É sempre importante que quando a pessoa for fazer a introdução de algum alimento novo, faça isso acompanhado de um profissional, principalmente quando estamos falando de prevenção e tratamento de saúde. No entanto, as pessoas que têm diverticulite não devem consumir o grão por causa do formato dele'', alerta a nutricionista. A chia pode ser encontrada em casas de produtos naturais por valores que variam de R$ 5 a R$ 8 a cada 100 gramas.

