A política adotada pela atual administração do município diverge daquela divulgada há alguns anos, em que Londrina aparecia como uma cidade capaz de oferecer qualidade de vida e emprego para todos. A propaganda, considerada por muitos irreal, acabou colaborando para o inchaço dos bolsões de miséria no município.

Somado a isso, a Companhia de Habitação de Londrina (Cohab-Ld) entrou em grave crise, gerada em grande parte pela inadimplência. Em novembro do ano passado, chegou a ser executada judicialmente. Atualmente, o diretor presidente da companhia, Carlos Eduardo Afonseca e Silva, garante que a Cohab voltou a ser viável, e prevê a entrega de aproximadamente mil unidades habitacionais no ano que vem, contra as 548 moradias entregues no ano de 2001.

Atualmente a Cohab está reorganizando a documentação que será enviada ao Projeto Habitar Brasil, financiado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), que anteriormente estava a cargo de Secretaria de Obras do Município. Segundo Afonseca e Silva, a previsão é que o projeto de R$ 5,7 milhões atenda 1,7 mil famílias, oferecendo moradia e infra-estrutura básica. ''A assinatura do contrato deverá ser feita em meados de março'', afirma o presidente da Cohab.

O Habitar Brasil não deverá, porém, representar uma esperança para os mais carentes. ''Trata-se de um financiamento que beneficiaria apenas as famílias que recebem de quatro salários mínimos para cima'', antecipa Afonseca e Silva. Ele informa que projetos visando as famílias de menor renda deverão ser lançados posteriormente, com o retorno dos empreendimentos já existentes.

O grande problema, porém, é que hoje aproximadamente 16 mil famílias têm financiamento com a Cohab, mas apenas metade está em dia com as prestações. ''Pretendemos criar fontes de recursos, e entre as possibilidades estão a venda da Fazenda Refúgio (zona sul), pertencente ao Município e em fase de regularização, e o Mirante do Eldorado (zona norte), que não pertence à malha viária do município.''

Para Afonseca e Silva, o problema da falta de habitação em Londrina é resultado da política do governo federal, que diminui a cada ano os investimentos feitos em moradias. ''A habitação é o começo da cidadania, e se o governo tivesse essa visão, com certeza gastaria menos com saúde, educação e na política carcerária.'' (S.L.)

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