Será que o futuro das bases, corretivos e primers, pode estar comprometido? Recentemente, cientistas desenvolveram uma "segunda pele" à base de silicone e oxigênio, que promete esconder rugas, olheiras e ainda melhorar a hidratação da pele.
Com o primeiro teste já realizado em humanos, a novidade se dá pela aplicação do material em forma de creme ou pomada, que ao secar, criará uma fina camada, imperceptível, capaz de remodelar a pele por cerca de 24 horas. "É uma partícula que se deposita na camada mais superficial da pele, disfarçando imperfeições", comenta a dermatologista Valéria Campos, da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD).
Considerando que o mercado de estética é um dos que mais crescem em todo o mundo, a ideia, desenvolvida por cientistas da Faculdade de Medicina da Universidade de Harvard e do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), promete agitar o universo da dermatologia.
Chamado de XPL, a "segunda pele" surgiu após uma década de testes, que criou uma biblioteca de mais de cem polímeros possíveis. Montados em um arranjo de rede, os polímeros apresentaram então, um resultado que "imita" as propriedades mecânicas e elásticas de uma pele saudável e jovem.

APLICAÇÕES
De acordo com Valéria, que se especializou na Harvard Medical School e observou de perto as pesquisas na área de dermatologia, a pesquisa deverá avançar futuramente no que se refere a outras aplicações.
"Mas vale lembrar que o que move o mundo da dermatologia é a estética. É uma área onde se investe mais dinheiro, pois mesmo em momento de crise, o mercado da beleza se mantém", diz, justificando o viés estético do produto.
No artigo publicado pelo MIT News, ao considerar a continuação dos estudos, os pesquisadores acreditam que será possível adaptar o material para aplicações médicas, como, por exemplo, na administração de medicamentos para tratamento de eczema e outros tipos de dermatite, além de proteção ultravioleta de longa duração.
O estudo ainda contemplou testes sobre a capacidade do material em prevenir a perda de água da pele seca. Duas horas após a aplicação, a pele tratada com XPL sofreu muito menos perda de água do que a tratada com um hidratante comercial high-end (de alta qualidade).
A novidade, entretanto, ainda não está disponível para o consumidor, pois deverá passar por aprovação final da Food and Drug Administration (FDA). "Essa pesquisa está trabalhando mais no sentido de disfarçar o aspecto da cicatriz e imperfeições. Em relação à regeneração da pele como para tratamento de queimaduras, há outras pesquisas em andamento, especialmente pela Harvard", aponta a especialista.

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