Sedentarismo compromete desenvolvimento motor
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segunda-feira, 23 de dezembro de 2013
Michelle Aligleri<br>Reportagem Local 
Há cerca de quinze anos a maioria das crianças que estudava pela manhã passava a tarde brincando na rua com os amigos. Bola, carrinho de rolimã, escalada de árvore, corridas, saltos... tudo era motivo de diversão e no fim do dia estavam todos exaustos de tanto brincar. Esta rotina infantil se tornou raridade, já que atualmente a maior parte das crianças se diverte sentada, movimentando apenas os dedos para apertar freneticamente os botões do videogame, computador ou a tela do tablet. Esta mudança radical no estilo de vida de brincadeiras trouxe consequências boas e ruins, que estão sendo estudadas por pesquisadores de diversas áreas da saúde.
Na área da ortopedia, essa alteração comportamental reflete diretamente no desenvolvimento físico das crianças e adolescentes. A fisioterapeuta Luana Blanco explica que o corpo das crianças e adolescentes está menos preparado fisicamente em razão da vida sedentária e, por isso, o risco de lesões é maior durante as brincadeiras ou práticas esportivas.
Hoje é comum, nas clínicas de fisioterapia, o aparecimento de crianças com ferimentos que antigamente eram vistos apenas em adultos. "Notamos que algumas crianças apresentam deficit de equilíbrio, falta de coordenação motora e fraqueza muscular. Relacionamos tudo isso ao sedentarismo e ao estilo atual das brincadeiras", comenta a fisioterapeuta.
Conforme Luana, inflamações na tíbia, problemas relacionados ao menisco, lesões no ligamento cruzado anterior e desvios posturais estão se tornando comuns em crianças e adolescentes. Os ferimentos aparecem quando as crianças decidem fazer alguma atividade física sem estarem preparadas para tal e, quando eles surgem, a intervenção deve ser imediata. "Se não houver acompanhamento de um especialista as alterações musculares e ósseas identificadas podem se tornar definitivas porque a criança está em fase de crescimento e consolidação da estrutura óssea", explica a fisioterapeuta. Ela salienta que, por este motivo, os professores de educação física devem ficar atentos para essas questões.
Maior risco
A fase da adolescência é a que traz mais preocupações para os especialistas. Estudos apontam que as lesões esportivas mais comuns ocorrem em crianças com idade entre 9 e 14 anos e isso coincide com o pico de crescimento. "Nesta fase as crianças passam pelo chamado estirão, que é um crescimento ósseo acelerado; é normal que o músculo não acompanhe este desenvolvimento rápido, o que causa um encurtamento importante, aumentando o risco para o problema", aponta.
Diante de uma lesão, Luana explica que a reabilitação deve ser a mais conservadora possível, evitando as intervenções cirúrgicas e preservando ao máximo as estruturas atingidas.
Prevenção
A mudança no estilo de brincadeiras é uma questão cultural. Incentivar as crianças a mudarem seus hábitos e a voltarem a se divertir como era antigamente nem sempre tem um efeito positivo. Para driblar o sedentarismo e estimular as crianças e adolescentes a se exercitarem para crescerem de forma mais saudável, uma saída interessante é estimular a prática esportiva, mas vale lembrar que o excesso de esforço também pode ser prejudicial. "A fisioterapia preventiva é uma boa opção para quem não quer praticar esportes. Nesta técnica trabalhamos gestos esportivos e trazemos à tona os movimentos como correr, pular e deslocar", afirma Luana.

