Boa parte do dia da empresária Carla Fuganti é dedicada à atividade física. E essa não é uma rotina nova. Há mais de duas décadas, ela pratica musculação intensa e corrida, semanalmente. É por isso que quando deixa de se exercitar "é como se faltasse algo".
Hoje, com 20 semanas de gravidez, Carla não deixou de frequentar a academia e nem a pista de caminhada, mas isso acaba chamando a atenção de muitas pessoas. "Elas ficam preocupadas com o fato de eu estar praticando exercícios e me dão conselhos", conta ela, ressaltando que se sente segura com as orientações do médico, nutricionista e educador físico. "Conversei com meu médico porque eu tinha essa preocupação, mas como minha gravidez não é de risco e eu já estou acostumada aos exercícios, ele me disse que não haveria problema nenhum", comenta.
A fisioterapeuta Melissa Novelli, também no quinto mês de gestação, é outro exemplo de que a gravidez não é um impedimento para a prática de exercícios físicos, inclusive da musculação. Ela, que também pratica a modalidade há mais de dez anos, não deixou de malhar.
Nos três primeiros meses, Melissa conta que "pegou mais leve" nos aparelhos, mas que aos poucos, foi retomando a rotina com o aval do médico. "Acompanho minha respiração e faço tudo dentro do que é confortável para mim. Não sinto dor e vou ao médico constantemente. Os exames mostram que minha gestação está ótima, sem nenhum risco", comenta.
O que essas duas histórias têm em comum é a prática de atividade física, como a musculação, durante a gravidez. O tema ganhou mais visibilidade nas últimas semanas, com as fotos da modelo americana Sarah Stage e da musa fitness Bella Falconi nas redes sociais. Ambas estão grávidas e impressionaram pela aparência musculosa, em especial de suas barrigas.
Com a divulgação, muitas mulheres passaram a questionar se esse comportamento é saudável e possível. Para buscar essa resposta, a FOLHA conversou com um educador físico, um ginecologista e uma psicóloga e, descobriu que sim, as mulheres não só podem como devem se exercitar durante a gravidez.

ORIENTAÇÕES

Mas vamos por partes. A empresária Carla e a fisioterapeuta Melissa, assim com a modelo Sarah e a Bella, têm uma condição física que permite a continuidade da musculação. O ginecologista e obstetra em Curitiba, Francisco Furtado Filho, explica que as gestantes são orientadas a ter a atividade física, conforme o condicionamento físico pré-gestacional.
"Essas gestantes têm a condição de manter a atividade com regularidade e de forma mais intensa que outras. Aquelas mulheres que estão em um momento sedentário da vida e engravidam, devem começar de uma forma lenta, progressiva e sempre supervisionada por um profissional da área de educação física ou da fisioterapia para evitar qualquer tipo de complicação", enfatiza.
É importante explicar que a atividade física será limitada ou contraindicada em pacientes com uma gestação de risco ou que, eventualmente, tenham problemas cardiorrespiratórios importantes ou limitações físicas.
"Se houver repercussões fetais, como, por exemplo, o bebê ganhar menos peso que o esperado, a placenta passar por um processo de envelhecimento ou haver diminuição do líquido amniótico, temos que replanejar essa atividade ou até mesmo suspendê-la temporariamente", afirma.
Mas, por outro lado, se os exames apontarem que o feto está tendo um desenvolvimento adequado intrauterino e a mulher também estiver com boa saúde, não há restrições. Porém não se descarta a importância do monitoramento.
Segundo o ginecologista, os esforços físicos exagerados durante o período gestacional, se forem desproporcionais ao condicionamento físico da pacientes, podem provocar alterações maternas e fetais, a nível de pressão ou mesmo edemas de membros inferiores, dores articulares, entre outros.
"O que não concordamos é com uma dieta alimentar e atividade física em detrimento ao desenvolvimento adequado do bebê. É preciso ter uma nutrição correta, um acompanhamento com educador físico e o médico deve estar atento a qualquer alteração, principalmente no período pré-natal", comenta.

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