Para a funcionária pública Fabiana Borelli Amorim, de 39 anos, os últimos meses foram dedicados ao repouso, fisioterapia e até uma mudança no cardápio do dia a dia. No final do ano passado, ela escorregou em um piso molhado e caiu.

Apesar de ter sido um tombo aparentemente leve, Fabiana teve que investigar dias depois a causa de tamanha dor. "Fiz um raio-X, mas o médico não havia identificado a fratura. Uma semana depois fui a um especialista e no dia seguinte estava indo para a sala de cirurgia para colocação de três pinos. Tive uma fratura no colo do fêmur", conta.

Hoje, após quatro meses de acompanhamento e uma mudança na rotina, ela já se sente mais confiante em colocar os pés no chão e andar. Mas o tratamento de Fabiana não para por ai. Ela fez uma densitometria óssea, exame que mede a quantidade de osso em gramas por centímetro quadrado.

Com os resultados, o médico chegou a um diagnóstico de osteopenia, que serve como um alerta para a diminuição de massa óssea. Se não tratada, pode levar ao desenvolvimento de osteoporose. "Terei que fazer reposição de cálcio e vitamina, mas agora também estou sendo acompanhada por um endocrinologista. Estou fazendo exames e começarei logo o tratamento. Por enquanto, estou cuidando da alimentação, consumindo alimentos ricos em cálcio", revela.

A história de Fabiana, porém, não é isolada. Estima-se que cerca de 10 milhões de brasileiros tenham a doença e, se depender das expectativas com o aumento da longevidade da população, esse número pode ser ainda maior.

Na semana passada, especialistas se reuniram em Curitiba durante o Congresso Brasileiro de Densitometria, Osteoporose e Osteometabolismo (Bradoo). Nesta sexta edição, um dos temas de grande importância foi a prevenção.

Isso porque o Estudo Brasileiro de Validação em Osteoporose (Bravos), inédito no país, estima a ocorrência de 66.760 mil casos de fratura de quadril por osteoporose este ano no Brasil. Essa fratura é considerada uma das consequências mais graves da doença, pois pode causar invalidez e perda de autonomia, principalmente em idosos.

"Esses dados nos ajudam a elaborar métodos de prevenção para um problema que pode deixar pessoas, já a partir dos 50 anos, paraplégicas e sujeitas a uma série de complicações capazes de reduzir consideravelmente a sua expectativa de vida", diz Cristiano Zerbini, reumatologista da comissão científica da Associação Brasileira de Avaliação Óssea e Osteometabolismo (Abrasso), responsável pela elaboração do estudo juntamente com a presidente da instituição, Vera L. Szejnfeld.

Os dados da pesquisa surgiram com o levantamento de 982 casos de fraturas osteoporóticas de quadril entre fevereiro de 2010 e março de 2012, em hospitais públicos de Belém (PA), Vitória (ES) e Joinville (SC), que juntos correspondem a uma população de três milhões de pessoas.

Segundo Zerbini, dada a localização dessas cidades é possível estimar uma projeção nacional. Juntas, elas representaram uma incidência de 14,55% para cada 100 mil habitantes por ano.

Imagem ilustrativa da imagem Saúde óssea começa com prevenção
Imagem ilustrativa da imagem Saúde óssea começa com prevenção
mockup