A Secretaria da Saúde realizou entre terça ontem (14), em Curitiba, aulas presenciais do treinamento de vigilância em saúde do trabalhador para profissionais que atuarão na fiscalização de indústrias de baterias no Paraná. O curso dá andamento ao processo de descentralização da fiscalização, que hoje é realizada pela equipe do Centro Estadual de Saúde do Trabalhador.

Segundo o superintendente de Vigilância em Saúde, Sezifredo Paz, a descentralização intensificará o trabalho de fiscalização nas regiões onde há indústrias desse ramo. "Com a capacitação, técnicos das regionais de saúde e municípios poderão visitar com mais frequência esse tipo de empresa e verificar se as condições estruturais e de segurança estão de acordo com as normas vigentes".

Estrutura inadequada, falta de equipamentos de proteção individual, falhas no sistema de exaustão e ventilação, maquinário sem manutenção e desinformação de trabalhadores e empregadores são alguns dos fatores que favorecem a ocorrência de acidentes e contaminações nesse tipo de fábrica.

Um dos principais riscos ao trabalhador é a intoxicação por chumbo, substância tóxica que, em contato com o organismo, pode causar desde dor abdominal até insuficiência renal.

De acordo com o médico do trabalho, Zuher Handar, é obrigação da empresa oferecer, a cada seis meses, o exame que avalia a quantidade de chumbo no sangue. "Caso o nível de chumbo esteja elevado, o trabalhador deve ser afastado imediatamente do ambiente de trabalho", disse. Se a empresa apresentou irregularidades anteriores, o intervalo de tempo do exame pode ser reduzido.

O tratamento varia de acordo com o grau e tempo de exposição que o trabalhador teve ao chumbo."Nos casos mais simples o tratamento consiste na ingestão abundante de água, pois o chumbo pode ser expelido pela urina", disse Handar.

Antes do treinamento, os profissionais tiveram que visitar uma fábrica de baterias chumbo-ácido ou reciclagem para conhecer a produção. Além disso, foi proposto a elaboração de um relatório preliminar com possíveis irregularidades identificadas durante a visita.

Em Curitiba, a programação contou com palestras sobre os procedimentos que devem ser adotados durante a fiscalização e foram ministradas pelo professor Gilmar Trivelato, consultor da Fundacentro-MG.

As atividades continuarão nos próximos dois meses, prazo final para os profissionais apresentarem um relatório detalhado da situação das empresas e um plano de intervenção para a redução dos riscos.

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