Em um esforço para reduzir a incidência das hepatites virais no País, o Ministério da Saúde decidiu ampliar a vacinação contra a hepatite B para a faixa etária de 30 a 49 anos. A vacina também está disponível nas unidades do Sistema Único de Saúde (SUS) para grupos de riscos.
Causada por um vírus de 50 a 100 vezes mais contagioso que o HIV, essa infecção no fígado pode-se tornar crônica, levando à cirrose e ao câncer. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 2 bilhões de pessoas já tiveram contato com esse vírus, das quais 240 milhões tornaram-se portadoras crônicas. No Brasil, não existem números exatos dos portadores desta doença.
A hepatite B é considerada um mal silencioso, porque nem todos os que contraem a doença apresentam sintomas: mal-estar, febre, diarreia, vômito e icterícia (pele e olhos amarelados). A doença é assintomática na maioria das crianças infectadas e até 50% dos adultos não apresentam sinais da doença, podendo contagiar outras pessoas sem saber.
A transmissão ocorre por meio de fluídos e secreções corporais, principalmente através do contato sexual. Outras formas de contágio são o compartilhamento de material para uso de drogas e de higiene pessoal (como alicates de unha e lâminas de barbear), bem como em procedimentos como a tatuagem, piercing e transfusão de sangue contaminado. A mulher infectada também pode contagiar o filho durante o parto.
A médica Lucia Bricks, diretora de Saúde Pública da Sanofi Pasteur, considera importante a ampliação da vacinação de adultos "Em pessoas que não fazem parte dos grupos de alto risco – usuários de drogas, portadores do HIV, população carcerária e profissionais de saúde - , o contato sexual com portadores assintomáticos é o principal fator para adquirir essa doença para a qual não existe tratamento adequado."
O risco da hepatite B se tornar crônica depende da idade na qual ocorre no ser humano. As crianças são as mais afetadas. Naquelas com menos de um ano, esse risco chega a 90%. Até 5 anos, as chances variam entre 20% e 50%. Em adultos, o índice cai para 5% a 10%. Dos portadores crônicos adultos, 20% podem desenvolver cirrose e 5% podem evoluir para o câncer.
"Não há contraindicação, é uma vacina de engenharia genética, inativada. A única possibilidade ocorre em situações extremamente raras, é uma reação alérgica", explica a diretora de Imunização da Secretaria de Estado de São Paulo, Helena Sato.
Além das pessoas com até 49 anos de idade, também poderão ser vacinados gratuitamente contra hepatite B os que fazem parte de grupos considerados de risco, como profissionais do sexo, homossexuais, usuários de drogas injetáveis, manicures, podólogos e profissionais de saúde.

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