Um produto que vem sendo testado na Universidade de Campinas (Unicamp) pode se tornar, dentro de alguns anos, uma das principais opções de preenchimento de defeito ósseo, especialmente na região da face. A pesquisa é realizada pela professora Geovanna Pires, do Instituto de Química (IQ) da instituição e foi objeto da tese de doutorado ''Biomateriais derivados de quitosana e hidroxiapatita com potencial para preenchimento ósseo''.
A pesquisadora desenvolveu um hidrogel à base de biomateriais como a quitosana e a hidroxiapatita, que são, respectivamente, teores de componente orgânico e componente inorgânico similares aos encontrados no osso humano, no qual o componente orgânico corresponde a diversas proteínas, principalmente colágeno. Segundo Geovanna, os resultados dos testes em cultura celular para detectar a presença de toxidade e avaliar o quanto de material é reconhecido pela célula foram ''fantásticos''.
Ela explica que o produto deve agora ser levado à escala piloto e, no futuro, à escala industrial. O primeiro passo nesta direção já foi dado pela pesquisadora ao entrar com um pedido de depósito de patente junto ao Instituto Nacional da Propriedade Intelectual (Inpi), concedido no ano passado. ''As indústrias mais interessadas no produto seriam as de biomateriais e as especializadas em preenchimento ósseo na área odontomédica'', informa.
Geovanna avalia que uma das principais vantagens do hidrogel é o fato de ser maleável e poder ser fracionado pelo cirurgião de acordo com o tamanho da fratura óssea. ''Ele pode ser preparado de diversas maneiras, desde a forma de um gel úmido, com resistência suficiente para ser manipulado e fracionado em um eventual implante ou para a realização de preenchimento de defeito ósseo, sendo que, nesse caso, pode ser preparado como um material esponjoso e rígido.''
A professora informa que a aparência do hidrogel lembra a de uma cartilagem, quando intumescido em solução de fluido corpóreo ou em solução que pode conter medicamentos importantes no momento do implante. O biomaterial pode atuar como matriz temporária para auxiliar na proliferação celular e na deposição da matriz extracelular, para a troca progressiva por uma estrutura regenerada e reconstituída. Quando seco, o produto assemelha-se a um osso, mas tem a vantagem de dispensar o uso de pastas auxiliares para preencher vazios, justamente pela capacidade de ser moldado.

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