Caracterizada pelo retorno de líquidos gástricos, bebidas e comidas do estômago para o esôfago, a doença do refluxo gastroesofágico (DRGE) causa sensações como estômago cheio, náusea, queimação e dor torácica.
Segundo o endoscopista Gustavo Andrade de Paulo, membro da Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva (SOBED), no momento da alimentação, a comida passa da boca para o estômago através do esôfago. Entre eles, existe uma espécie de "válvula" que os separa, evitando que o alimento volte para o esôfago. "Quando o esfíncter esofágico não fecha corretamente, o problema acontece, podendo levar alimentos e líquidos e sucos gástricos a voltarem para o esôfago, gerando o refluxo."
Medicamentos, dieta e até mesmo uma cirurgia não foram suficientes para livrar a fonoaudióloga Carolina Alves Pinto, de 37 anos, dos incômodos sintomas do refluxo gastroesofágico. A doença provoca tosse a cada vez que ela come ou ingere líquidos, muitas vezes com vômito e falta de ar. Como não é um sintoma clássico do problema, caracterizado principalmente pela "queimação", os chamados "inibidores de bomba de prótons" não fazem muito efeito.
"O que mais incomoda é a tosse", conta ela, que já tomou todos os medicamentos possíveis para minimizar o problema. "Quando sinto queimação, não é provocada por alimentos específicos, como café, por exemplo. O tratamento é complicado", relata.
Durante a gravidez, Carolina chegou a quebrar uma costela por causa da tosse. "Eu chorava dia e noite, porque sabia que ia tossir e sabia que ia doer muito." Diante de tantas limitações, ela acabou se submetendo à cirurgia indicada para refluxo. O único benefício foi cessar o vômito, mas os outros sintomas, inclusive a tosse incômoda e incessante, permaneceram.
Por não conhecer outra solução, ela continua tomando os "inibidores de bomba de prótons". "Só uso quando sinto queimação. Parei de usar todos os dias, porque não adianta. Não me sinto bem tomando remédios diariamente, tenho medo de desenvolver outras doenças", revela.
Sem conseguir solução para o caso em Londrina, Carolina vai se consultar com um especialista em São Paulo nos próximos dias. "É minha esperança de levar uma vida normal", comenta.
Pessoas de todas as idades podem ter refluxo. Por meio do exame de endoscopia, é possível detectar a esofagite, consequência do refluxo. Fazer uma pHmetria e esofagomanometria pode ser necessário em apresentações atípicas da doença.
Comum nos casos de refluxo, o alerta fica por conta do risco da automedicação. "O uso de remédios por conta própria, como os antiácidos, não garante a eficiência, além de acarretar em outros efeitos colaterais ao paciente. Portanto, é aconselhável o acompanhamento de um médico", completa o endoscopista Gustavo de Paulo. (C.A.)

mockup