Retinoblastoma: tumor comum na infância
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domingo, 01 de setembro de 2013
Michelle Aligleri<br>Reportagem Local 
Apesar de atingir uma criança em até 30 mil nascidas vivas, o retinoblastoma é o tumor maligno ocular mais comum na infância e corresponde a 11% de todos os cânceres que ocorrem durante o primeiro ano de vida. Na mesma proporção que é rara, a doença é grave, podendo provocar a morte de bebês. O médico oftalmologista e chefe do setor de oncologia ocular da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP/Escola Paulista de Medicina), Rubens Belfort Neto, explica que este tumor nasce dentro do olho, na retina, podendo crescer e afetar parte do cérebro. "Como regra, 100% das crianças que não são tratadas morrem", afirma o médico.
De acordo com o oftalmologista, a situação se torna ainda mais crítica porque uma criança considerada saudável por médicos logo após o nascimento pode apresentar a doença meses depois. Esta característica contribui para a identificação do retinoblastoma apenas quando ele já está em estágio avançado. "Nos casos em que o diagnóstico é tardio, a criança é salva, mas geralmente perde-se o olho. O retinoblastoma cresce lentamente e, na maior parte das vezes, quando ele atinge uma parte do cérebro a chance de salvar a criança é muito reduzida", lamenta o médico.
O diagnóstico do retinoblastoma é feito pelo oftalmologista pediátrico através de um exame de fundo de olho. Os pais podem desconfiar da doença quando ocorre reflexo pupilar anormal na criança (olho branco) em fotografias feitas com flash. Outro sinal é o estrabismo. Belfort Neto explica que estes dois sintomas não garantem a existência de um tumor, mas a regra é levar a criança para o médico avaliar diante de qualquer desconfiança.
O sucesso do tratamento depende da perspicácia dos pais e médicos para diagnosticar o problema na fase inicial. Medicamentos quimioterápicos, utilização de laser e de técnicas especiais de cirurgia para controlar o tumor são as opções mais frequentes de tratamento do retinoblastoma.
O médico alerta que algumas formas deste tipo de câncer são hereditárias, e mesmo que a doença não tenha se manifestado nos familiares diretos durante a infância, como é mais comum até os sete anos, diante do diagnóstico de uma criança, é recomendado que irmãos e pais também sejam examinados.
Teste do olhinho
Realizado nas maternidades, o teste do olhinho é indolor e tem grande importância na identificação de doenças oculares. O retinoblastoma, a catarata e o glaucoma congênito são algumas das doenças que podem ser diagnosticadas pelo exame. As Sociedades Brasileiras de Pediatria e de Oftalmologia recomendam que o teste seja feito pelo pediatra logo após o nascimento do bebê. Apesar de ser uma recurso importante de diagnóstico, Belfort Neto explica que a mãe precisa buscar o oftalmologista diante de qualquer desconfiança a respeito da saúde ocular do bebê, mesmo que o resultado do teste do olhinho tenha sido normal.
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