Respirar pela boca traz problemas
PUBLICAÇÃO
domingo, 28 de agosto de 2011
Fernanda Borges <br> Reportagem Local <br> 
Quem percebe uma criança respirando pela boca acredita que este pode ser um hábito comum. Apesar de aparentemente normal, trocar a respiração natural do nariz pela boca pode acarretar problemas sérios na saúde a longo prazo, tornando-se até mesmo irreversíveis na fase adulta. Além de instigar a criança a se alimentar mal, respirar pela boca ocasiona problemas de sono, ronco e baba ao dormir, além de desencadear, inclusive, deficiências nos ossos da face e posturais.
Pesquisas apontam que cerca de 50% da população brasileira respira pela boca. Preocupado com esse índice, um grupo de alunos da Universidade Norte do Paraná (Unopar) realizou pesquisa em uma escola pública de Londrina para mapear a realidade das crianças e constatou que 56,8% dos estudantes entrevistados são considerados respiradores bucais.
A fisioterapeuta Josiane Felcar reforça que a respiração bucal provoca uma série de problemas. ''Crianças que respiram pela boca têm muitos problemas posturais, língua mais flácida e acabam se habituando a inclinar a cabeça um pouco mais para frente, além de desenvolver a cifose e outros problemas na coluna'', alerta.
A pesquisa orientada pela fisioterapeuta foi realizada no ano de 2007 por meio de questionários aplicados com 500 crianças de 7 a 11 anos de idade. O trabalho foi publicado no ano passado na Revista Ciência e Saúde Coletiva por iniciativa da Associação Brasileira de Pós-Graduação em Saúde Coletiva.
No estudo os alunos conseguiram identificar que o desmame precoce é um fator que contribui para o problema. Mais da metade dos respiradores bucais analisados utilizaram chupeta e poucos tinham o hábito da sucção digital. Porém, a grande maioria fez uso de mamadeira, sendo que o tempo de utilização dos três itens teve significância estatística com relação aos respiradores bucais. A incidência do ronco, da baba e do sono agitado também é maior nos respiradores bucais em relação aos nasais.
Ainda segundo a fisioterapeuta, o tratamento do problema deve ser multidisciplinar, envolvendo fonoaudiólogo, dentista e, em alguns casos, psicólogo e nutricionista. ''Os respiradores bucais têm dificuldade em acompanhar as atividades físicas da escola, por exemplo, e acabam se sentindo deprimidos e sentem cansaço excessivo'', destaca.
Tratamento
Felipe Faustino, 8 anos, passa por tratamento na clínica de fisioterapia da Unopar desde o começo do ano. Segundo a mãe dele, Cristiane Faustino, além de respirar pela boca, o menino sofre de asma, o que faz com que ele tenha ainda mais dificuldade de respirar pelo nariz.
''Tenho que sempre chamar a atenção dele pra fechar a boca porque é muito comum ele estar vendo TV ou fazendo qualquer outra atividade com a boca aberta. Com a fisioterapia tenho sentido uma boa melhora porque hoje em dia ele já começa a perceber quando está respirando só pela boca'', comenta.
Nos exercícios de fisioterapia, Felipe passa por estímulos que o forçam a puxar o ar pelo nariz e soltar pela boca, além de fazer com que aprenda a observar a maneira como tem respirado. ''Pelo menos duas vezes por semana ele passa por exercícios. Está sendo muito bom porque os profissionais trabalham de forma lúdica, fazendo com que a criança leve mais a sério a importância de se forçar a respirar pelo nariz. Estou otimista, já que identificamos o problema cedo e vai ser possível evitar que meu filho tenha mais dificuldades lá na frente'', afirma Cristiane.

