Se o seu filho ronca quando dorme, tem dificuldade para acordar pela manhã, baixo rendimento na escola e é uma criança irritada, fique atento à respiração dele. Estas são características de crianças que fazem respiração bucal. Médicos afirmam que pacientes assim não têm um sono de qualidade, apresentam sudorese noturna e se debatem enquanto dormem, porque buscam oxigênio. ''A respiração bucal não é compatível com uma boa qualidade de vida'', define o otorrinolaringologista Lauro João Lobo Alcântara, que esteve em Londrina participando de um congresso recentemente.
As consequências da má qualidade do sono aparecem no comportamento. Os médicos estão cada vez mais convencidos de que muitas crianças taxadas como hiperativas, na verdade são respiradores bucais. ''Geralmente é uma criança que não aceita ser contrariada'', diz. Alcântara explica que isso acontece porque estes pacientes não atingem o sono REM, que é responsável pelo descanso, pela liberação do hormônio do crescimento e pelo hormônio antidiurético, por isso alguns fazem xixi na cama e ficam abaixo da estatura.
De acordo com o médico, o principal sinal de que há algo errado é o ronco. ''Esta não é uma característica normal nas crianças e deve ser investigada. Normalmente o ronco está relacionado à respiração bucal que leva a uma série de problemas'', destaca o médico. Segundo ele, este tipo de respiração interfere, inclusive, na fisionomia dos pacientes. Como a criança fica com a boca aberta na maior parte do tempo, a passagem de ar e o posicionamento inadequado da língua resultam em mordida cruzada e pálato (céu da boca) alto. Estes pacientes normalmente apresentam o lábio de cima mais fino e o de baixo grosso e caído.
''A situação atrapalha vários órgãos, pode provocar uma deformidade torácica, em casos mais graves leva à apneia do sono que pode chegar à hipertensão pulmonar e provocar um tipo de insuficiência cardíaca que ocorre por baixa saturação de oxigênio', detalha o médico.
Uma vez identificada a respiração bucal, os pais devem investigar a causa. ''Pode ser desvio de septo nasal, rinite alérgica, pólipo nasal, aumento da amígdala ou adenóide'', informa o médico. Ele explica que o tratamento deve ser definido de acordo com a causa. ''No caso da rinite, alguns cuidados ambientais para evitar acúmulo de poeira são suficientes para solucionar o problema, mas nas demais situações a cirurgia é indicada'', esclarece.
Tratamento cirúrgico
De acordo com o médico Lauro João Lobo Alcântara, as cirurgias de retirada das amígdalas e adenóide são consideradas simples e realizadas de forma rápida. ''São procedimentos seguros e que melhoram muito a qualidade de vida do paciente. Esta mudança pode ser observada já no dia seguinte à cirurgia'', observa. O otorrinolaringologista acrescenta que algumas cirurgias podem ser feitas ainda antes de um ano de idade. ''Cientificamente não existe nada que justifique esperar muito tempo para operar. A partir do momento que a operação é indicada, ela deve ser feita'', destaca.
Quando a criança apresenta desvio de septo nasal, o médico orienta que a situação seja avaliada de forma criteriosa, já que o procedimento pode implicar em alterações no crescimento do nariz. ''É o septo nasal que comanda o crescimento da pirâmide nasal. É preciso avaliar o custo benefício desta cirurgia para cada criança, em algumas situações é interessante deixar o procedimento para depois que a criança terminar o crescimento'', afirma.
Em alguns casos a respiração bucal provoca uma deformidade na musculatura e mesmo após a cirurgia a criança fica de boca aberta. O médico explica que na maioria das vezes é preciso fazer acompanhamento com fonoaudiólogo e dentista para completar o tratamento.

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