Repouso é um grande remédio
Quando se trata de descolamento de retina, a paciência é a melhor receita a ser seguida, pois qualquer movimento brusco ou de força pode acabar com o tratamento. De acordo com o oftalmologista Plínio Boin, quando a retina está fragilizada, qualquer impacto pode fazer com que ela se descole novamente.
"Dependendo do tipo de procedimento realizado, a pessoa não pode nem andar de avião, ou então, deve dormir de barriga para baixo. É um tratamento longo e bem cuidadoso", informa o oftalmologista. Quem sabe muito bem disso é a funcionária pública Denise Scarpin, de 45 anos.
Em maio do ano passado, ela passou a perceber manchas, como se fossem moscas voando no campo visual do olho direito. "Não sentia dor, ardência e nem vermelhidão. Apenas as manchas. No dia seguinte, começaram os flashes de luz e como eu nunca tinha ouvido falar sobre o descolamento, não achei que era grave", lembra ela, que já havia se submetido a uma cirurgia para correção de miopia.
Praticante de corrida, Denise participou no período de uma meia maratona e no fim da prova, o susto. "Minha visão estava toda embaçada. Só tinha um terço da visão. Procurei um oftalmologista na mesma hora e descobri que minha retina já estava descolada", comenta.
No dia seguinte ao diagnóstico, fez uma cirurgia a laser e a partir daí, começou a etapa mais importante e difícil do tratamento. Denise teve que repousar de bruços durante 30 dias. "Só me levantava para o necessário. Fiquei afastada do trabalho durante três meses e a atividade física só pude retomar após nove meses", conta.
Denise passou a caminhar e somente neste ano voltou a correr. A cada três meses ela volta ao consultório para um acompanhamento. "Lembro que quando o médico me disse a gravidade daquela situação, me arrependi de não ter procurado ajuda antes", revela.
Em relação ao tratamento, Boin cita que na fase inicial é possível aplicar um laser para criar um contato para que o vítreo não termine de descolar a retina (fotocoagulação). É um procedimento feito no consultório e com colírio anestésico.
Outro procedimento é por meio de uma injeção de gás no interior do olho (Retinopatia pneumática) ou a aplicação de uma faixa de silicone para que o olho aumente o contato com a retina (Retinopexia).
"Em casos de descolamentos mais extensos ou mesmo acometendo a parte principal da visão, a abordagem pode ser cirúrgica, como por exemplo, uma vitrectomia, onde se retira todo o vítreo e aplica a fotocoagulação", afirma. (M.O.)




