Reposição hormonal e risco de câncer
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domingo, 29 de junho de 2014
Michelle Aligleri <br> Reportagem Local 
A reposição hormonal é um fator de risco para o aparecimento do câncer? Esta questão polêmica é discutida há tempos por médicos de várias especialidades. Hoje há especialistas que afirmam que esta terapia está relacionada ao aparecimento de câncer de mama e de endométrio em algumas mulheres, mas há estudiosos que defendem a tese contrária. "Apenas as mulheres que apresentam muitos sintomas da menopausa possuem indicação para fazer a reposição hormonal. Fogachos, irritabilidade, insônia, falta de energia, ressecamento vaginal, estes são fatores que reduzem muito a qualidade de vida", salienta a professora da Universidade Estadual de Londrina (UEL), médica ginecologista e obstetra Lilian Gaccari.
O presidente da Comissão de Climatério da Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), Luciano Pompei, lembra que no último consenso da Associação Brasileira de Climatério (Sobrac), a utilização de hormônios também foi indicada como fator preventivo de fraturas por osteoporose e para tratamento da atrofia genital. "Estes fatores já fazem com que a maioria das mulheres tenha indicação para este tipo de tratamento", salienta.
Segundo Lilian Gaccari, no entanto, para que a terapia seja adequada a paciente não pode ter hipertensão, diabetes, alteração de colesterol e triglicerídeos de difícil controle. "Ela também não pode ter apresentado doenças circulatórias como trombose e flebite anteriormente e nem lúpus ou atrite e não pode ter alterações na mama que ainda não foram resolvidas", aponta. As pacientes que já apresentaram anteriormente câncer de mama ou de endométrio também possuem contraindicação para a reposição hormonal. De acordo com a médica, estes tumores estão ligados à presença de estrogênio no organismo, principal hormônio usado no tratamento.
Apesar da relação hormonal, Luciano Pompei aponta que a contraindicação neste caso é por falta de evidência de segurança. No caso de mulheres que já tiveram trombose e coágulo, o ginecologista afirma que a contraindicação não é absoluta porque há algumas formas de reposição que podem ser feitas.
Como há uma discussão intensa sobre a incidência de câncer entre as mulheres que passaram pela reposição hormonal, aquelas que optam por este tipo de terapia são orientadas a fazer exames de rotina mais vezes. Lilian Gaccari destaca que a paciente que faz terapia hormonal deve ficar sob vigilância. Segundo ela, estudos mostram que por conta deste hábito as mulheres geralmente fazem diagnóstico precoce de câncer e possuem tratamento mais efetivo porque avaliam a mama com mais constância.
De acordo com a médica, ainda não se sabe exatamente o que faz com que um gen para câncer de mama seja estimulado a aparecer. "Sabemos que o estrogênio não é o único causador do câncer de mama porque ele está no organismo da mulher desde a primeira menstruação. Se assim fosse as mulheres teriam a doença muito mais jovens", explica Lilian. Outro fator que reforça esta questão é o fato de que muitas mulheres têm câncer de mama sem terem feito reposição hormonal anteriormente.
Luciano Pompei destaca que é difícil estabelecer uma relação de causa e efeito do aparecimento do câncer em mulheres que fizeram reposição hormonal. "Sabemos que a reposição aumenta o risco de desenvolver câncer de mama, mas este aumento é pequeno e é equivalente ao que os hormônios endógenos da mulher já fazem", destaca.

