Queimaduras: lesões que marcam a vida
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segunda-feira, 04 de março de 2013
Michelle Aligleri<br>Reportagem Local 
As marcas no colo e perna esquerda de Iramar Freires, de 26 anos, não a deixam esquecer o dia 3 de março de 2012. As cicatrizes são resultado de um acidente com álcool e fogo ocorrido durante um churrasco com a família. Depois de enxertos de pele e dez dias de internação, a promotora de eventos voltou para casa. A recuperação foi dolorosa e hoje as marcas do acidente servem de alerta para amigos e familiares. Iramar afirma que este tipo de ferimento tem uma interferência grande na questão psicológica, principalmente por conta da vaidade. Eu fiquei mais tranquila porque o fogo não pegou no meu rosto, mas mesmo assim é difícil, existe preconceito, ressalta.
Não importa se provocada pelo sol, por água ou óleo quente, queimadura é um ferimento dolorido. Quando se pensa neste tipo de lesão, geralmente vem à mente a imagem de pequenas bolhas. De acordo com o cirurgião plástico que atua na Central de Tratamento de Queimados do Hospital Universitário (HU) de Londrina, Luiz Fernando Queiroz, a área queimada e a profundidade do ferimento estão diretamente ligados à gravidade do paciente. Ele explica que este tipo de lesão é dividido em graus. As queimaduras de primeiro grau deixam a pele vermelha e ardida, mas sem bolhas. Elas provocam um desconforto grande com dor e coceira, mas não deixam consequências graves no restante do organismo, disse.
Já as queimaduras de segundo grau são aquelas que levantam bolhas na pele. Consideradas mais profundas, elas têm uma repercussão mais dolorosa, principalmente quando as bolhas arrebentam. Com os cuidados adequados elas cicatrizam bem, explica Queiroz.
As queimaduras consideradas de terceiro grau são aquelas mais profundas. O médico afirma que o paciente com este tipo de ferimento não sente dor porque a camada sensível da pele geralmente é destruída. Estes pacientes precisam de enxerto de pele porque, na maioria dos casos, o organismo não consegue cicatrizar a lesão sozinho, destaca.
Conforme Queiroz, a porcentagem do corpo queimada é medida de maneira aproximada pelos médicos. Calculamos a área de cada palma de mão fechada como 1% do corpo. Uma criança que queima acima de 10% do corpo já é considerada um paciente grave e precisa ficar internada, afirma.
A maior parte das queimaduras é evitável porque geralmente resultam de acidentes domésticos. Dados da Sociedade Brasileira de Queimaduras apontam que o álcool líquido é o principal responsável pelos acidentes mais graves. O álcool é muito inflamável; são vários os casos de pessoas que se acidentam enquanto estão acendendo churrasqueiras, e depois vão a óbito, revela Queiroz, frisando que as pessoas devem se conscientizar de que há maneiras mais seguras para acender o fogo.
No caso das crianças, as queimaduras mais frequentes são provocadas por escaldamentos com água ou óleo quente. Para evitar este tipo de ocorrência, é importante que elas sejam mantidas longe da cozinha, principalmente quando o fogão estiver sendo usado.
Os acidentes com eletricidade também podem ser graves e, em alguns casos, levam até a amputação de membros. Fios desencapados, pipas e pessoas que acabam encostando cabos de ferramentas na rede de alta tensão são os principais casos, aponta. Há ainda as queimaduras químicas, provocadas geralmente por produtos de limpeza corrosivos que são ingeridos ou encostados na pele.
Ele diz que a cicatrização de uma queimadura, mesmo que superficial, costuma demorar cerca de 15 dias. Ela deve ser tratada com curativo. Quando este tipo de ferimento fica aberto, ele tem mais chance de inflamar. Mas o curativo precisa ser trocado todos os dias. Os pacientes que obedecem esta orientação apresentam uma recuperação mais rápida, salienta o médico.
A maioria dos queimados graves precisa de atendimento na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), ainda assim, a taxa de mortalidade é alta.
A formação das cicatrizes, deixadas pelas queimaduras mais profundas, está ligada ao processo de cura do paciente. Em alguns casos, o enxerto precisa ser feito. Nas situações mais graves - em que o paciente teve grande parte do corpo queimado e não tem áreas disponíveis para fazer o enxerto - é preciso fazer transplante de pele e, posteriormente enxerto.
De acordo com o médico, o tratamento de pacientes queimados é complexo, ele destaca que há poucos centros de queimados no País e que falta informação a respeito deste tipo de tratamento inclusive para a própria categoria médica. Mais informações - www.sbqueimaduras.org.br

