Imagem ilustrativa da imagem Quando o tendão recebe 'carga' demais
| Foto: Shutterstock

Eles são responsáveis por conectar os músculos aos ossos, transmitindo forças que resultam nos movimentos das articulações. Não é à toa que o corpo humano tem mais de mil tendões. Sem eles, o controle desses movimentos fica totalmente comprometido. Para a população em geral, o importante é saber que essas estruturas têm alguns fatores de risco para seu bom funcionamento. O fisioterapeuta Lucas Maciel Rabello, de Londrina, comenta que alterações na estruturas dos tendões têm relação com o processo de envelhecimento e que estudos investigam também a influência genética.

No entanto, Rabello destaca outras questões: sobrepeso, doenças crônicas como o diabetes, e principalmente atividades que acabam "sobrecarregando" os tendões. “Destaco a corrida, o vôlei, o basquete, futebol e outras modalidades de salto. Em relação às laborais, um exemplo são funcionários de fábrica que carregam muito peso e apresentam tendinopatias nos membros superiores”, diz.

Os principais sinais de "desgaste" do tendão são dor e limitação das atividades, que caracterizam a tendinopatia, chamada popularmente de tendinite. Segundo Rabello, nas patologias relacionadas ao esporte, as tendinopatias chegam a compreender de 30 a 50% dos casos, e o tendão de Aquiles (tornozelo) e do manguito rotador (ombro) costumam ser os mais atingidos.

No tendão de Aquiles - considerado o mais forte do corpo humano - a prevalência da tendinopatia é de 2.35 para cada mil habitantes. Já no ombro a prevalência anual pode chegar até 7.4%. “Nas lesões musculoesqueléticas em corredores, a tendinopatia do tendão de Aquiles é a segunda patologia mais comum chegando a 10.9%”, aponta.

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| Foto: Jenifer Elizabete Lima Brauna/Divulgação

Lucas Rabello, fisioterapeuta: pesquisa sobre Influência das cargas nos tendões e na tendinopatia

O fisioterapeuta lembra ainda que fatores psicológicos como a depressão também podem influenciar o desenvolvimento da patologia e interferir no processo de reabilitação.

CLÍNICA

Rabello vem pesquisando o tema há anos. Ele se graduou na UEL (Universidade Estadual de Londrina) em 2008 e acaba de retornar da Holanda, onde contou com a orientação do professor Hans Zwerver, uma referência em tendão do mundo, no doutorado em Medicina Esportiva na University of Groningen.

A tese defendida por Rabello envolveu diferentes grupos de sujeitos para investigar como que os tendões respondem a diferentes cargas, como em uma maratona, em partidas de vôlei profissional e até exercícios de fisioterapia.

A pesquisa intitulada “Influência das cargas nos tendões e na tendinopatia” teve como uma das principais atividades a clínica do tendão. “Avaliamos quase 200 pacientes entre 2015 e início de 2019. A ideia foi examinar e tratar pacientes com sintomas nos tendões dos membros inferiores. O foco não foi especificamente sobre o tratamento, mas sobre as mudanças que observamos na estrutura do tendão”, detalha.

O principal achado, de acordo com ele, foi a constatação de que o tendão demora mais tempo para se recuperar do que a queixa da dor do paciente. “Muitas vezes, o paciente teve uma redução na dor ao realizar determinada atividade, mas em uma avaliação clínica percebemos que a estrutura do tendão não se recuperou completamente”.

MAIS RESPOSTAS

De acordo com o fisioterapeuta, a mensagem final para os profissionais de saúde é que eles não devem se ater tanto aos exames de imagem do tendão a curto prazo, mas a longo prazo. “Sugerimos que o paciente continue realizando os exercícios mesmo depois do tratamento para prevenir também o surgimento de novas dores”, ressalta.

Para os praticantes de modalidades citadas pelo pesquisador, o recado é a importância de balancear as cargas de treinamento, isto é, ter uma dosagem ideal para observar uma adaptação positiva do tendão em relação à carga.

FRIO

Além disso, com a queda nas temperaturas, Rabello lembra que muitas pessoas deixam de sair de casa para se exercitar e quando retomam a rotina de atividade física, o fazem na mesma intensidade que pararam. “Isso sobrecarrega muito o tendão. Tem que ser gradativo”, orienta.

Mas Rabello ainda não tem todas as respostas para seus questionamentos. Agora, ele está em busca de outras terapias que possam beneficiar os pacientes que não têm resultados com o tratamento convencional. “Pois não são todos os pacientes que fazem exercícios terapêuticos que melhoram. Vou seguir com as pesquisas para descobrir quais grupos se beneficiam e qual modalidade de fisioterapia pode funcionar para eles. Ninguém no mundo tem essa resposta”, afirma.

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| Foto: Folha Arte
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