Você tosse com frequência? Tem catarro diariamente? Cansa mais do que outras pessoas da mesma idade? Tem mais de 40 anos? É fumante ou ex-fumante? Se você respondeu positivamente a três destas perguntas, é hora de cuidar da saúde e procurar um médico. Estes podem ser sinais de Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) que mata 40 mil brasileiros por ano. A doença deve ser a terceira causa de morte no mundo até 2020, segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS).
Para fazer o diagnóstico da doença é necessário passar por um exame de espirometria. O aparelho mede o fluxo de ar expelido em um minuto pelo paciente. Esta é uma doença prevenível e tratável, que pode ser progressiva se associada a uma resposta inflamatória pulmonar.
A principal característica da DPOC é a limitação persistente da entrada do fluxo de ar, ou seja: a dificuldade para respirar. A doença é uma associação da bronquite crônica (inflamação dos brônquios) com o enfizema pulmonar (perda de elasticidade dos alvéolos pulmonares).
O paciente com DPOC não consegue expirar e passa a conviver com o acúmulo de ar nos pulmões. Por ser confundida com frequência com outras doenças respiratórias, a DPOC geralmente é descoberta tardiamente. Os pacientes normalmente apresentam tosse crônica com ou sem produção de muco, falta de ar e chiado na respiração. Na fase avançada, a doença impede que o paciente tenha uma vida normal, as dificuldades aparecem durante caminhadas, quando é necessário subir uma escada e até mesmo na hora de tomar banho.
Dados da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT) apontam que 15,8% dos fumantes ou ex-fumantes com mais de 40 anos podem ser acometidos pela DPOC. ''O cigarro é uma das principais causas da doença, mas não é a única. Fumaça de lenha, produtos químicos e queima de biomassa, como cana de açúcar também estão relacionados com o problema'', explicou o diretor da SBPT, José Jardim.
Segundo ele, qualquer fumaça de tabaco pode desencadear a doença, o cigarro de palha é duas vezes e meia pior do que o cigarro comum. Em média, as pessoas que possuem DPOC fumaram um maço de cigarro por dia durante 20 anos, mas há aquelas que têm predisposição genética e enfrentam o problema muito antes deste prazo.
Pacientes com DPOC têm chances aumentadas de infarto e depressão. A doença também possui comorbidades, que pioram ainda mais a qualidade de vida. Episódios de crise são comuns para alguns pacientes, chamadas de ''exacerbação'', Estas crises aumentam a chance de mortalidade. ''63% dos pacientes que vão para a UTI depois da primeira crise morrem em até dois anos após o episódio'', disse Jardim. Esta é uma doença sistêmica, que interfere no coração, atrofia a musculatura e perda de massa óssea, alterações respiratorias.®MDBO
Para prevenir a doença é preciso ficar longe do tabagismo e dos outros fatores de risco. O tratamento é feito com medicamentos inalatórios que possuem uma ação prolongada de dilatação dos brônquios. As lesões provocadas são irreversíveis, mas a medicação diminui a velocidade da progressão da DPOC.
Serviço:
Mais informações nos sites www.golddpoc.com.br, www.sbpt.org.br ou www.dpoc.org.br
* A repórter viajou a São Paulo a convite da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia

Imagem ilustrativa da imagem Quando falta o ar, falta saúde
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