A redução da atividade da tireoide causa sintomas opostos ao hipertireoidismo. Lentidão de pensamentos, apatia, fraqueza, alteração cardíaca, inchaço e sobrepeso são características do hipotireoidismo e o quadro do paciente pode ser confundido com depressão. Por este motivo, diante dessas alterações físicas e emocionais, deve-se desconfiar do funcionamento da tireoide e fazer um exame de sangue.
O hipotireoidismo é menos grave do que o hipertireoidismo, que é crônico e por isso necessita de tratamento contínuo. Algumas pesquisas apontam que 2% da população norte-americana toma medicamento para controlar o hipotireoidismo. No Brasil, não há dados sobre esta enfermidade, mas a incidência estimada na população é considerada alta pelos especialistas.
A diretora do departamento de tireoide da SBEM, Laura Ward, explica que o hipotireoidismo mais frequente também tem causa autoimune. "Enquanto na Doença de Graves o anticorpo estimula o funcionamento da tireoide, na Doença de Hashimoto ocorre a destruição da glândula; o anticorpo acaba matando a célula tireoidiana e como esta devastação é lenta os sintomas são pouco evidentes", frisa.
De acordo com a médica endocrinologista Renata Liboni, o hipotireoidismo pode ainda ser desencadeado por conta das alterações hormonais da menopausa ou ser congênito. "A criança pode nascer com uma malformação ou até mesmo sem a tireoide, neste caso identificamos o problema no teste do pezinho", comenta. As estimativas apontam que uma em cada 3.500 crianças nascidas vivas apresenta hipotireoidismo congênito e esta é considerada uma incidência muito alta.
Conforme a endocrinologista, a detecção do problema deve ser precoce porque ele pode causar deficit cognitivo na criança. "A utilização da medicação previne esta situação. Por isso é tão importante que as mães exijam a realização do teste do pezinho", alerta.
O tratamento para o hipotireoidismo é feito com um hormônio sintético muito semelhante ao que a própria glândula produz, assim a ocorrência de efeitos colaterais ou intolerâncias é muito baixa. "Apesar deste medicamento ser fabuloso, apenas 60% das pessoas que fazem este tratamento estão controladas. A doença faz com que o indivíduo fique esquecido e não tome o medicamento corretamente, o que é ruim", explica.
Laura acrescenta que alguns estudos com células-tronco começaram a ser realizados, mas ainda não há previsão de quando a técnica estará disponível para tratar os pacientes.
Oito vezes mais frequente nas mulheres do que nos homens, o hipotireoidismo é muitas vezes confundido com a menopausa ou com o envelhecimento natural. O diagnóstico é simples, o teste é barato e pode fazer com que a pessoa descubra que a queda de cabelo, a unha fraca, a pele seca e a tristeza são sintomas de uma doença que pode ser tratada. Conforme a médica, isso não significa que todas as pessoas que apresentam estes sintomas tenham a doença. "Se estamos falando que 10% das pessoas apresentam alguma disfunção na tireoide, imagine o número de pessoas que poderiam melhorar a qualidade de vida após iniciar um tratamento adequado", ressalta. (M.A.)

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