Quando a comida não cai bem
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domingo, 24 de abril de 2011
Fernanda Borges <br> <br> Reportagem Local 
Um dia você come alguma coisa que não faz parte de sua rotina e percebe que aquilo não lhe caiu bem. Apesar de sutil, os sintomas persistem toda vez que você tem contato com aquele alimento. As causas podem ser diversas e o problema pode ser intolerância ou uma alergia alimentar. Pesquisas apontam que cerca de 20% da população sofre com algum tipo de intolerância e esse problema pode afetar pessoas de qualquer faixa etária.
De acordo com o médico gastroenterologista Roberto Menoli, em geral, as intolerâncias ocorrem pela dificuldade da digestão de determinados alimentos por deficiência ou falta de enzimas para proporcionar a adequada absorção do que é ingerido. ''É bem conhecida a intolerância à lactose (ingrediente característico do leite ou derivados). Porém, muitos fatores podem ser também próprios dos alimentos ou lá colocados intencionalmente com a finalidade de conservação ou realce de sabor. Em pequenas quantidades, são tolerados e não fazem mal. A partir de determinado ponto, podem propiciar reações tóxicas, como dor de cabeça, manchas na pele, vômitos dor abdominal e diarréia'', explica.
Quando se fala de alergia alimentar o especialista aponta que nesse caso o problema ocorre quando o organismo entra em contato com alguma substância que provoca reações exageradas do sistema imunológico, desencadeando sintomas típicos que vão desde inchaço na mucosa da boca ou lábios até coceiras, falta de ar, vômitos, etc.
''Os agentes alimentares que mais causam alergia são aqueles compostos de proteínas, que são as substâncias que mais facilmente provocam a sensibilização do sistema imunológico. Casos bastante frequentes envolvem alimentos como peixes, frutos do mar e ovos, por exemplo. Para estas situações, principalmente quando ocorrem em indivíduos que têm passado por processos alérgicos, além do tratamento geral, deve-se evitar a ingestão desses alimentos'', enfatiza Menoli.
Foi isso que o eletricista Rafael Rodrigues do Prado, 27 anos, precisou fazer para garantir qualidade de vida. Há cinco anos ele não come frutos do mar, depois que passou por uma crise ao comer camarão. ''Tive edema de glote e comecei a ficar sem ar, foi horrível. Achei muito estranho porque já tinha comido camarão quando era mais novo e não tinha acontecido a mesma coisa'', lembra.
No dia em que passou mal, Rafael precisou ser encaminhado para um hospital onde recebeu injeções com medicamentos e doses de adrenalina para ajudar na abertura dos vasos, além de ter passado por inalação. ''Na época falaram que poderia ser a procedência do camarão apenas, mas eu nunca mais voltei a comer. Não quero pagar para ver porque a sensação foi horrível. Hoje em dia não compro nenhum tipo de frutos do mar'', diz.
Cuidados
Menoli lembra ainda que as alergias podem variar muito e vão desde alimentos industrializados, por conta dos conservantes, corantes e outros produtos que fazem parte dos alimentos processados. ''Devemos considerar que nem sempre é o alimento que ocasiona a intolerância ou mesmo a intoxicação. Muitas vezes o acondicionamento inadequado ou por tempo além do permitido que leva ao consumo de um produto que contenha impurezas ou esteja deteriorado. As alergias são mais frequentes nas crianças, quanto às intolerâncias, nem sempre temos condições de saber os componentes alimentares principalmente quando comemos fora de casa, portanto a prudência é indispensável'', finaliza.

