Qualidade na relação é o mais importante
A professora do curso de psicologia da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Suzane Lohr, frisa que a saída da mãe para o trabalho não compromete o desenvolvimento saudável da criança, desde que ela fique sob os cuidados de uma pessoa responsável. ''Mais importante que a quantidade é a qualidade da relação. Este é um dizer popular frequente que tem bastante fundamento''.
De acordo com ela, o comportamento da mãe ao voltar para casa após o trabalho é que faz toda a diferença no desenvolvimento da criança. ''Uma mãe que sai para trabalhar, mas volta antes da hora do banho do filho; que, ao chegar em casa, brinca, conversa com a criança, verifica suas necessidades e observa se a alimentação durante o dia foi apropriada, pode estar bem mais presente na vida do filho do que outra mãe, que mesmo não trabalhando fora, passa o dia envolta com outros objetivos que não a criança, como as tarefas da casa e o computador'', ressalta.
Suzane explica que o segredo está em investir na qualidade da relação nos momentos em que podem estar com os filhos. ''Estudos mostram que quando a mãe volta a trabalhar, a sua relação com a criança muitas vezes torna-se de qualidade superior do que no tempo em que estava de licença-maternidade'', complementa. A psicóloga orienta que conversar com a criança explicando que vai trabalhar, mas que assim que der voltará para a casa, ajuda a tranquilizar a criança. ''Por outro lado, a mãe deve cumprir com os acordos feitos. Se combinou voltar no final da tarde, ela deve evitar se comprometer com tarefas que invadam o horário, pois a criança precisa confiar que o combinado será cumprido'', salienta.
Para a professora, a separação entre a mãe e o bebê não é prejudicial se a criança estiver sob os cuidados de uma pessoa que goste dela, seja carinhosa, atenciosa e mantenha a criança alimentada e aquecida. ''Se houver uma pessoa que zele pela criança no período em que a mãe se ausenta, não é problemático se a mãe se afasta para trabalhar por algumas horas do dia'', conclui.
Geralmente, a avó pode cumprir com propriedade todos estes requisitos, assim como algumas babás, mas quando a mãe não pode contar com familiares e não possui uma babá de confiança, é mais recomendado que a mãe verifique a possibilidade de deixar a criança em uma creche ou escolinha. ''Saber que a criança está bem atendida e que há facilidade de encontrá-la em caso de necessidade, contribui para que os pais se sintam mais seguros em ir para o trabalho'', destaca. (M.A.)




