Qualidade de vida em questão
A endocrinologista Myrna Campagnoli ressalta que a intolerância à lactose não traz um risco para saúde, a título de ocasionar uma doença mais grave. O grande problema, segundo ela, é o comprometimento da qualidade de vida.
A intolerância pode ser primária, que é a mais comum na população e tende a surgir à medida que a idade avança; ou a secundária, que é uma condição temporária e também adquirida no decorrer da vida, porém, geralmente associada a doenças digestivas e até cirurgias de remoção de parte do intestino.
No entanto, ela também pode ser congênita, sendo o tipo mais raro. Além disso, há diferentes graus, que podem ser classificados como leve, moderado e severo. Considerando os quadros leve e moderado, os pacientes em geral têm a opção de consumir a lactase em forma de medicamentos, assim como recompositores de flora intestinal.
"Entretanto, aqueles que têm (intolerância) de moderada a grave, a lactase não tem um bom desempenho, até porque demandaria uma dose muito alta. O ideal mesmo é que a ingestão da lactose seja restringida para evitar os sintomas", diz.
Sendo assim, a pessoa que tem um grau severo precisa aprender a ler a bula e o rótulo dos produtos, antes de consumi-los. Uma tarefa que pode ser bem difícil no começo, como conta Aline Simões Francisco, que aos 32 anos descobriu que é intolerante à lactose.
Ela não pode sequer consumir alimentos que tiveram o mínimo de contato com leite ou derivados. "Tudo o que você imagina, tem leite. Eu perdi mais de 20 quilos e precisei de acompanhamento nutricional para suprir a falta de cálcio", diz ela, que teve o diagnóstico há seis meses, através do exame de intolerância.
Formada em Gastronomia, Aline conta que desde a infância sempre consumiu muito leitem, mas há cerca de um ano e meio começou a sentir os sintomas. Na viagem de férias no ano passado teve uma crise de diarreia, o que considerou ser uma virose ou intoxicação alimentar.
De volta a Londrina, desconfiou do leite e restringiu o consumo por alguns dias. Com o passar do tempo, voltou a consumir e novamente passou mal. "Sentia um mal-estar, diarreia, estufamento do abdômen, gases, cólicas e até tontura", diz ela, que até para fazer o exame com composto de lactose teve uma crise. "Cheguei a ser internada", completa.
Hoje, Aline ainda está se acostumando com a nova rotina alimentar e para ajudar participa de grupos de intolerantes à lactose pela internet. "Fiquei um tempo desestimulada porque sentia falta de muitas coisas. Agora, aceitei essa condição, busco novas receitas e recorro a produtos sem lactose e que são fontes ricas de cálcio. Vou me acostumando", diz. (M.O.)




