Dois milhões de brasileiros convivem hoje com uma doença que por muitos anos foi comparada à loucura. O estigma ainda forte na população não muda a realidade dos portadores de esquizofrenia que, além de difícil, demanda um cuidado integral. Pesquisa realizada pela Associação Brasileira de Familiares, Amigos e Portadores de Esquizofrenia (Abre) em parceria com o Programa de Esquizofrenia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) revela a realidade das famílias desses pacientes. A doença - que ainda tem origem desconhecida - pode ser tratada e os portadores podem levar uma vida normal.
Realizada pelo Ibope, a pesquisa envolveu 60 cuidadores e foi apresentada semana passada durante o 1º Workshop Educativo sobre Esquizofrenia para a Imprensa, em São Paulo. O evento fez parte de uma série de ações realizadas em homenagem a data de hoje, em que se comemora o Dia Mundial da Saúde Mental.
O psiquiatra da Unifesp, Rodrigo Bressan, lembra que a esquizofrenia evolui por meio de crises agudas e períodos de remissão. Segundo ele, a causa da doença é uma combinação de fatores que envolve desde a predisposição genética até alterações químicas e ambiente em que o indivíduo vive.
''A doença se caracteriza pela dificuldade que a pessoa apresenta de diferenciar a realidade e suas crenças e percepções. O fato é que existem alterações na química cerebral que são tratadas com antipsicóticos, por isso é possível controlar os sintomas e prevenir recaídas permitindo, assim, que o portador possa levar uma vida normal e produtiva'', diz.
De acordo com a pesquisa, 38% dos entrevistados afirmaram que o fator mais importante no sucesso do tratamento é ter acesso a um psiquiatra. Já 27% disseram que a disponibilidade de medicamentos e tratamentos é primordial e 25% apontaram que é fundamental ter acesso a um medicamento específico que ajude a evitar as recaídas. Apenas 8% consideram mais importante que o paciente trabalhe ou estude.
Ainda segundo a pesquisa, os cuidadores afirmaram que a recaída interfere no dia a dia de quem convive com o problema e, portanto, evitar essas recaídas ainda é o fator mais importante. ''A pesquisa mostrou que essa é a principal luta dos cuidadores. Eles estão conscientes de que a prevenção é o melhor caminho para isso e que é preciso medicações cada vez mais eficazes somadas ao tratamento multidisciplinar'', afirma Bressan.
Todos os entrevistados pela pesquisa são associados à Abre - a maioria é formada por mulheres, de 50 a 69 anos de idade, das classes A e B. Além disso, a maior parte dos cuidadores é pai ou mãe do paciente, sendo que mais da metade deles cuida dos pacientes há mais de dez anos.
Inclusão
Um projeto nacional com apoio do Ministério da Cultura incentiva a inclusão social de portadores de esquizofrenia. O Arte de Viver é um programa que estimula a produção de obras de pintura e literatura com apoio dos maiores especialistas do Brasil. A terapeuta ocupacional da Abre, Cecilia Villares, diz que também é feito o tratamento medicamentoso, que controla os sintomas e a psicoeducação que contribui para a reabilitação do paciente. ''O programa colabora com a reintegração do portador de esquizofrenia, favorecendo sua inclusão à sociedade, estimulando-o a participar de atividades produtivas'', finaliza Bressan.
Serviço: Contato com a Associação Brasileira de Familiares, Amigos e Portadores de Esquizofrenia (Abre) pode ser feito pelo www.abrebrasiil.org.br
* A jornalista viajou a São Paulo a convite da Janssen Farmacêutica, que apoia as ações da Abre.

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