Prótese no coração reduz risco de AVC
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 10 de fevereiro de 2020
Micaela Orikasa - Grupo Folha 
Outro procedimento inédito pelo SUS (Sistema Único de Saúde) realizado no HU (Hospital Universitário) de Londrina atende pacientes com fibrilação atrial - arritmia causada pela perda da capacidade de parte do coração de contrair e impulsionar o sangue -, funcionando como uma prevenção do AVC (Acidente Vascular Cerebral), popularmente conhecido como derrame.
A paciente operada é Josefa Romão da Silva, 83, moradora de Primeiro de Maio (Região Metropolitana de Londrina). Ela foi submetida à cirurgia para Implante de Oclusor de Apêndice Atrial Esquerdo porque também sentia efeitos colaterais significativos com as medicações anticoagulantes.
Silva tinha que ser constantemente atendida no hospital por conta do quadro de anemia e de sangramentos digestivos toda vez que tomava o medicamento. Além disso, o fato dela ser hipertensa e diabética, aumentava ainda mais o risco de sofrer um AVC.
O cardiologista Cézar Eumann Mesas, especialista em Eletrofisiologia Clínica, explica que a perda de capacidade de contração provoca pequenos coágulos dentro do coração que podem migrar para áreas remotas do corpo como, por exemplo, o cérebro. Isso explica o risco aumentado de AVC nesses pacientes.
A estimativa no Brasil é de que 16 mil pessoas (1,5% da população) sofram com a fibrilação atrial. Deste total, cerca de 12 mil (75%) são considerados de risco para a ocorrência de AVC e pouco mais de dois mil pacientes (18%) não podem usar a medicação anticoagulante.
Sob anestesia geral, o cirurgião implanta uma prótese metálica por meio de um cateter inserido na veia profunda da virilha. O cateter chega ao coração e libera a pequena prótese (cerca de 25 milímetros) com o objetivo de ocluir o local sede da formação de coágulos.
A técnica ainda é restrita em todo o País e até o momento, beneficiou cerca de 150 pacientes. No SUS, são apenas dois operados em Vitória (ES), além desta paciente em Londrina. “A técnica reduz até 70% o risco de AVC, mesmo percentual estimado para os indivíduos que utilizam e toleram os remédios”, afirma.
De acordo com Mesas, a cirurgia só foi possível de ser realizada no HU porque a fabricante da prótese, uma multinacional americana, fez a doação do material e em contrapartida o hospital viabilizou todo o apoio logístico, infraestrutura e capacitação humana.
“A técnica ainda não foi incorporada no rol de procedimentos pagos e autorizados pela Agência Nacional de Saúde, nem no SUS quanto na saúde suplementar”, comenta. Somente a prótese tem o custo aproximado de R$ 30 mil.

