Proteína descoberta detecta demência
PUBLICAÇÃO
domingo, 17 de fevereiro de 2013
Reportagem Local 
Pesquisadores da Flórida (EUA) descobriram uma proteína anormal que se acumula no cérebro de pacientes com dois distúrbios neurodegenerativos comuns a esclerose lateral amiotrófica, também conhecida como ELA ou doença de Lou Gehrig, e a demência frontotemporal. Os especialistas dizem que a descoberta revelou um novo alvo terapêutico e biomarcador em potencial, que pode permitir aos médicos confirmar o diagnóstico das doenças. O estudo foi publicado na edição online de 12 de fevereiro do jornal Neuron.
A equipe de pesquisa, liderada pelos cientistas da Clínica Mayo, descobriu a patologia da proteína anormal, que eles chamam de C9RANT. Um erro no processo celular altamente regulado processo pelo qual as proteínas são geradas causa a produção anormal da C9RANT. A equipe desenvolveu um anticorpo que pode detectar a proteína insolúvel específica que se agrega e está presente em pacientes com mutações do gene C9ORF72, que já foi identificado por pesquisadores da mesma clínica como a causa genética mais comum da ELA e da demência frontotemporal.
"Essa nova descoberta esclarece como a mutação causa esses distúrbios e nos fornece um marcador que nos ajuda a rastrear a progressão da doença em pacientes com esses distúrbios e, possivelmente, combater as doenças", diz o autor sênior do estudo, o neurocientista molecular Leonard Petrucelli, diretor do Departamento de Neurociências da Clínica Mayo.
Se ficar comprovado, como se suspeita, que a agregação dessas proteínas é a causa da morte e da toxicidade neuronal nessas doenças, pode ser possível desenvolver terapias para romper a agregação ou para impedir a acumulação dessas proteínas, antes de mais nada, diz Leonard Petrucelli. Como a proteína é encontrada em todo o sistema nervoso central em pacientes com ELA e demência frontotemporal mas não em outras doenças neurodegenerativas os pesquisadores esperam que, no futuro, ela possa ser testada através de uma punção lombar.
Depois da doença de Alzheimer, a demência frontotemporal é a forma mais comum de demência neurodegenerativa de início prematuro. Ela se caracteriza por mudanças na personalidade, comportamento e linguagem, devido à perda de massa cinzenta no lobo frontal do cérebro. A ELA destrói as células motoneurônios que controlam atividades musculares essenciais, tais como falar, andar, respirar e engolir.

