Em época de calor e muito sol, a maioria da população brasileira acha que ter uma pele bronzeada é sinônimo de beleza e saúde. No entanto, é fundamental alertar as pessoas constantemente sobre os riscos da exposição excessiva aos raios ultravioleta, que pode ser tanto pela luz solar como por cabines de bronzeamento artificial. Infelizmente, o sol pode causar danos cumulativos quando não é feita a prevenção corretamente e ele é o principal fator desencadeante do câncer de pele, certamente o tumor maligno mais comum do ser humano.
O efeito nocivo do sol sobre a pele é observado na idade adulta, pela ação cumulativa da radiação solar. E a maior parte do dano causado por ele ocorre precocemente na infância e adolescência. Crianças ou adolescentes de pele, cabelos ou olhos claros, com sardas, que se queimam mais do que se bronzeiam, ou com casos de câncer de pele na família, fazem parte do fototipo de risco. É importante lembrar que qualquer pessoa pode desenvolver a doença.
Os excessos cometidos nessa fase da vida vão provocar danos que apenas serão percebidos de duas a três décadas depois, ou seja, próximo dos 40 anos. A longevidade tem aumentado o número de diagnósticos positivos da doença entre os idosos, justamente pelo caráter cumulativo dos raios ultravioleta. Assim, as medidas de proteção são muito importantes desde os primeiros anos de vida. Os cuidados devem ser tomados durante todo o dia, pois, apesar de a radiação UVB - a mais cancerígena - incidir entre 10h e 15h, a UVA - que atinge a Terra durante todo o dia - também é prejudicial, pois, além de ser cancerígena, é a maior responsável pelo foto-envelhecimento da pele.
A exposição solar está entre os fatores que podem levar a três tipos da doença - os carcinomas basocelulares, os carcinomas espinocelulares e o melanona. O primeiro caso é o mais frequente. Apesar de não causar metástase, pode destruir os tecidos à sua volta, atingindo até cartilagens e ossos.
O carcinoma espinocelular é o segundo tipo mais comum de neoplasia de pele. Pode disseminar-se por meio de gânglios e provocar metástase. Já o melanoma é o câncer de pele mais perigoso e apresenta alto potencial de produzir metástase, podendo levar à morte se não houver diagnóstico e tratamento precoces. É causado por fatores genéticos, mas pode ser desencadeado pela exposição inadequada ao sol, mais frequente em pessoas de pele clara e sensível. A maior incidência de neoplasias de pele se dá nas regiões da cabeça e do pescoço, que ficam diretamente expostas aos raios solares.
Hoje, podemos observar que uma parcela da população vem incorporando o uso do filtro solar à exposição ao sol, mas nem sempre a interpretação de como usar o protetor é a mais correta. Muitas pessoas utilizam o produto para se expor ainda mais aos raios solares, quando na verdade o filtro deveria ser uma estratégia a mais para a proteção, combinada ao uso de roupas, chapéus e guarda-sóis.
Marinês Dias Ferraretto é médica dermatologista do Hospital São Cristóvão

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