Proteção dos pais deve ser na medida certa
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domingo, 13 de maio de 2012
Michelle Aligleri <br> Reportagem Local 
Ferver a chupeta todas as vezes que ela cai no chão, limpar a banheira do bebê diariamente com álcool, impedir que as pessoas toquem ou segurem a criança antes de desinfetarem as mãos são cuidados que fazem parte da vida de algumas mães. O zelo exagerado porém, não é recomendado pelos especialistas. Com a superproteção das crianças os pais acreditam que estão livrando os filhos das doenças, mas na verdade acabam favorecendo a formação de um sistema imunológico falho que não terá condições de agir diante de um problema real do organismo. Consequências negativas também são observadas no desenvolvimento emocional destas crianças.
Pesquisas apontam que o excesso de higiene faz mal, bem como a falta dela. O médico infectologista Arilson Morimoto explicou que a habilidade de se proteger dos organismos nocivos é aprendida com o passar dos anos. ''Nós nascemos como um papel em branco, temos uma certa defesa, mas com o tempo isso tem que ser aprimorado e a única maneira do organismo aprender a se defender é se expondo a tipos variados de bactérias, protozoários e vírus'', explicou.
Segundo ele, o contato diário e frequente com diversos agentes auxiliam o desenvolvimento do sistema imunológico e evitam alergias e doenças auto imunes. ''Sabemos que em países extremamente desenvolvidos com condições sociosanitárias excelentes, a quantidade de pessoas alérgicas é muito grande. Em países pobres estes números caem de forma drástica'', destacou.
Apesar destes dados não é preciso deixar a criança em meio ao excesso de sujeira para que ela adquira anticorpos. O médico explicou que há bactérias e vírus em todos os lugares. Deixar a criança brincar na terra e na grama não faz mal, conforme ele, os agentes que estão nestes lugares raramente trazem algum prejuízo. A preparação do organismo para combater as doenças deve começar desde cedo. ''Não adianta permitir que a criança só tenha contato com a sujeira depois dos cinco anos. A imunidade se faz durante toda a vida, mas principalmente até os três anos de idade'', alertou.
Segundo ele, uma gripe pode se tornar um problema sério se a criança pegar a primeira aos seis anos de idade e não tiver defesas no organismo.''Alguns pais acham que o filho tem que ficar em um ambiente extremamente limpo, sem sujeira, mas nestas condições o nosso mecanismo de defesa não aprende a se proteger''. O preparo do organismo para enfrentar os perigos das doenças começa cedo e para isso Morimoto orienta que os pais deixem as crianças mais soltas a partir do momento em que começam a engatinhar.
De acordo com o médico pediatra Renato Mikio Moriya, a preocupação excessiva com o bebê e o ambiente que o cerca é mais comum entre as mães de ''primeira viagem''. Ele lembrou que em cada fase a criança tem possibilidades saudáveis e seguras de diversão. ''Uma criança com mais de um ano, por exemplo, geralmente pode ser colocada para brincar na areia sem problemas''. O pediatra disse que o leite materno, uma alimentação saudável após a fase da amamentação e vacinas em dia são inevitáveis para que as crianças fiquem mais protegidas contra doenças graves.
Liberdade para brincar é fundamental e favorece o crescimento adequado das crianças. Moriya defende que o fato dos pais liberarem seus filhos para tomarem banho de chuva, subir em árvores, brincarem com tinta e mexerem no chão permite que eles desenvolvam a sua motricidade. Ele destaca que a criança que só fica no chiqueirinho ou no carrinho é mais ''molinha'' e não tem um bom desenvolvimento. ''É importante ter contato com outras crianças. Não tem jeito de brincar sem se sujar e, às vezes, se machucar. Isso tem a ver com o amadurecimento neuropsicomotor e estas vivências são importantes para crescer saudável''.
Para o médico, faz parte do desenvolvimento de vez em quando pegar a chupeta que caiu no chão dentro de casa e colocar direto na boca. ''Não vai fazer tão mal. Não somos a favor da sujeira, mas os exageros são negativos e podem sim, afetar negativamente a criança'', disse acrescentando que o bom senso é a melhor saída.

